Carregando poesias…Acervo
21 poesias
Rodrigo Bauer
Talvez tenha sido morto na Guerra do Paraguai... Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai... Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão e a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!
Rodrigo Bauer
Além de todos os marcos, das pontes e das divisas, depois dos campos e cerros que somem sob o horizonte, há uma fronteira cortada que o tempo não cicatriza; nela se ocultam as horas dos amanhãs e do ontem...
Rodrigo Bauer
I São Três Colunas que nos dão sustento; grandes e eternas numa Trilogia...
Rodrigo Bauer
Pelo campo e a paisagem, por tantas outras paragens eu estarei, de passagem, sem me apegar, pois, se, então
Rodrigo Bauer
Eu só queria um pouco do teu gosto para adoçar minha existência amarga e temperar essa excessiva carga do sal que deixa os olhos, pelo rosto!
Rodrigo Bauer
I Eu trago um lenço branco no pescoço... O velho lábaro republicano que vence o posto trivial do pano
Rodrigo Bauer
I Não me perguntes do gaúcho velho! Do lenço branco a esvoaçar no vento... Há a nossa essência no seu testamento
Rodrigo Bauer
a cor da liberdade da janela; ninguém conseguirá passar por ela buscando o outro lado desparelho!
Rodrigo Bauer
I O lobo que há em mim está dormindo, mas tem ouvidos bons e sono leve! Espreita, pelas sombras, quem se atreve
Rodrigo Bauer
I Existe um outro eu, que me observa, oculto, em minhas sombras mais remotas... Por vezes, ele leva as minha botas,
Rodrigo Bauer
I Primeiro foi a visão! Feito o vidro da janela que vai ficando embaçado,
Rodrigo Bauer
I Eu sinto no soneto algo de etéreo, um sopro de magia em movimento... É o ar que se transmuda e faz-se vento
Rodrigo Bauer e Matheus Bauer
Num fim de tarde, na Pampa, no fundo de um campo aberto os cascos ferem silêncios que testemunham, ao certo, a estampa de um homem velho plantado sobre os arreios de uma égua - muy serena - mascando o ferro do freio!
Rodrigo Bauer
I Viajante! Por mais que me despeça e lote a mala,
Rodrigo Bauer
Há bens que a gente não guarda no cofre nem no galpão... Não são passíveis de compra, de venda ou avaliação! Não há como compará-los com outros bens em questão... Só são visíveis aos olhos da alma e do coração!
Rodrigo Bauer
Vem um pescoço sem lenço pela Borges de Medeiros... Ele sobe o viaduto e envereda ao Palácio... Seu tetravô gasparista vem em seu sangue de herdeiro, mas ele nem sabe disso, pois esquecer é tão fácil!
Rodrigo Bauer
I A escuridão abre o dossel no pago - um poncho negro sobre nós flutua!
Rodrigo Bauer
Um homem vai pela estrada; um outro dorme na mira... De seu, há apenas o nada, pois isso ninguém lhe tira!
Rodrigo Bauer
olhou em volta e avistou o nada... Não encontrou ninguém pelos caminhos, nem viu a vida no sem fim da estrada...
Rodrigo Bauer
Um touro berra doído... Até parece um gemido do pago que, estremecido, pranteia os tempos que vão...
Rodrigo Bauer e Gujo Teixeira
Dom Quixote ressonava dentro de um livro esquecido, quando acordou assustado por um estranho ruído! Uma traça devorava uma página amarela, seu destino era “traçado” e triturado por ela!