A Dor da Saudade
Sebastião Teixeira Corrêa
Quando a saudade vem bater nas casas Varando a noite, pelas horas mortas. Os pensamentos logo criam asas E os corações deixam abrir as portas
63 poesias
Sebastião Teixeira Corrêa
Quando a saudade vem bater nas casas Varando a noite, pelas horas mortas. Os pensamentos logo criam asas E os corações deixam abrir as portas
Sebastião Teixeira Corrêa
I Da vida e da morte de Chica Pelega, Existem histórias, por causos e lendas, Francisca Roberta, Pelega na alcunha,
Sebastião Teixeira Corrêa
Há um campo largo, muito largo, imenso Sob o horizonte de minha’lma Que muitas vezes, quando paro e penso Eu me convenço, que infinito.
Sebastião Teixeira Corrêa
Quem passa naquela estrada, pras bandas de Camaquã, Vê uma tribo abandonada, esquecida por Tupã... Raízes da pampa
Sebastião Teixeira Corrêa
Que pena, o campo tombando, Sob os discos de um arado A coxilha está chorando Por ter seu ventre rasgado.
Sebastião Teixeira Corrêa
Meritíssimo Juiz Peço vênia neste instante, Porque reputo importante fazer a observação; Eu não tenho a pretensão de contestar a justiça,
Sebastião Teixeira Corrêa
Olhei o rio, com tristeza, ao ver as águas tão turvas, E um pouco de natureza, morrendo nas suas curvas...
Sebastião Teixeira Corrêa
Contrabandeei sentimentos Na sina de correr pagos, Em malas de suprimentos Abaratadas de afagos.
Sebastião Teixeira Corrêa
Há um momento em que o passado, Por mais que esteja distante, Parece voltar, num upa, Cavalgando um pensamento;
Sebastião Teixeira Corrêa
Alma estradeira, de horizontes largos, Sina de andante, por caminhos vagos, Sem pressa ou rumo, pois não tem encargos, E esse destino de tropear afagos
Sebastião Teixeira Corrêa
Voltei ao pago que um dia Extraviei os meus brinquedos, Tive sonhos, fantasias, Infância, ânsias e medos.
Sebastião Teixeira Corrêa
Fora parida na estância Por parteira de mão boa. Cresceu menina bonita, Com seu vestido de chita
Sebastião Teixeira Corrêa
Escancarou-se a porteira dos campos de minha infância para que a tropa judiada buscasse novo horizonte,
Sebastião Teixeira Corrêa
Extraviei meus sonhos nos confins dos anos que, de tropa mansa, fez-se chimarrona, viraram alçados, xucros, araganos, com patas ligeiras de potra gaviona.
Sebastião Teixeira Corrêa
I III A tarde desceu sebruna Eu fico, ao longe, bombiando Ponteando nuvens cinzentas, Essa tormenta que passa Dessa que, de branca espuma, Parece, mal comparando
Sebastião Teixeira Corrêa
Olhei o terreiro grande, onde outrora o galo índio Exibia sua prole nas manhãs de primavera;
14º Bivaque da Poesia GaúchaSebastião Teixeira Corrêa
I Me perco, as vezes, contemplando a estrada Que se prolonga ao rumo do infinito; Atrás, há um rastro de ilusão passada,
Sebastião Teixeira Corrêa
O céu tingido de sangue Sobre a linha do horizonte Onde o sol vermelho e langue Se debruça atrás do monte
Sebastião Teixeira Corrêa
A trilha guardou a história Daqueles que abriram a trilha, Desenhando geografias Pelos rumos dos cargueiros;
Sebastião Teixeira Corrêa
Das botas velhas, já gastei a sola, Campereando os rumos que sonhei pra mim. O mundo foi a minha grande escola, Um corredor que nunca teve fim.
Sebastião Teixeira Corrêa
I Chininha levantou cedo Abriu com calma a janela, Tinha um semblante de medo
Sebastião Teixeira Corrêa e João Antônio Marin Hoffmann
Prás bandas do palmital, onde o sal tempera o chão, Nas manhãs frias de julho a lida desperta o sol, Pr’alguns Joões que a vida, não foi assim generosa, Pois, nesta plaga arenosa, quando opções se consomem,
Sebastião Teixeira Corrêa
Quando as rastras sobrarem das cinturas E os bicharás sumirem dos invernos, Quando morre o verde das planuras E quando a noite e o frio forem eternos.
Sebastião Teixeira Corrêa
Caiu a noite mais braba D’uma invernia de agosto, Onde a neblina trançada Batia de encontro ao rosto