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15 poesias
João Benito Soares
Não sei porque motivo Que meu pago abandonei Pra outras bandas rumei Mesmo tendo experiência
João Benito Soares
Me lembrei bem faceiro Numa manhã de domingo Dei ração para o meu pingo Que tava perto do rodeio
João Benito Soares
Eu tinha uns vinte anos Era um peão aragano De casar, não tinha planos, Eu sempre fui desconfiado
João Benito Soares
Eu tropeava neste tempo Viajava de escoteiro Carregava muito dinheiro Fazia muitas andanças
João Benito Soares
Se olhares o meu presente Não dirás o meu passado Eu fui um piá desprezado Sinto vergonha em falar,
João Benito Soares
Era um domingo bem cedo Lá pelo mês de Setembro A data eu nem me lembro Desta festa tão falada
João Benito Soares
Se perguntam de onde sou Eu te respondo bem ligeiro Sou Riograndense altaneiro Aqui mesmo fui criado
João Benito Soares
Olhando a linda paisagem Bem antes do sol nascer Até tentei entender Como isso foi bem formado
João Benito Soares
Senta aqui meu velho amigo Neste cepo galponeiro Corta o fumo pro palheiro Ao teu modo de cortar
João Benito Soares
Eu tenho desde peizito Um traste de estimação Uma relíquia de peão A qual dou muito valor
João Benito Soares
Eu vi um negrinho criado No tempo da escravidão. Foi mandalete do patrão Em muitas frias madrugadas
João Benito Soares
Parceiro, chega sem pressa Neste galpão de campanha E toma um trago de canha Te conto Tim por Tim Tim
João Benito Soares
Num bolicho de campanha Que tinha lá no povoado Foi num dia de feriado Deu a tal rinha de galo
João Benito Soares
Me lembro como agora Eu era ainda piazito E me criando aos pouquitos Mas no coração uma dor
João Benito Soares
Desde o dia em que nasci Ganhei uma herança Farrapa Da nossa querência farta Sou a cuia de chimarrão