Lenço Branco
I Eu trago um lenço branco no pescoço... O velho lábaro republicano que vence o posto trivial do pano pra ser bandeira eterna em alvoroço!
Maior me sinto, até, do que o Colosso quando o Minuano faz voar as pontas do lenço branco que, em silêncio, conta histórias velhas de um Rio Grande moço...
Ele me vem do tetravô caudilho que, ouvindo a voz de Júlio de Castilhos, viu que chegava, enfim, a sua vez...
Surge o chimango, o contendor estóico que unge a coxilha com seu sangue heróico nas desavenças de Noventa e Três!
II Morre o Patriarca e sua mão austera! Na alma branca o Pica-pau guerreiro... E Antônio Augusto Borges de Medeiros prova que a casa não ficou tapera!
Por vinte e cinco extensas primaveras, iguais verões, outonos e invernos, o velho Borges ficaria eterno e mostraria a todos porque viera!
Desse cenário, acordariam tantos homens gigantes, como por encanto, desde o Rio Grande, com jaez febril,
ao grande púlpito voluntarioso, por vezes calmo, noutras belicoso, ditar os novos rumos do Brasil!
III Flores da Cunha, o General vaqueano, o vanguardista, o campeador valente que, do Rio Grande, foi o presidente mais progressista entre os republicanos... Oswaldo Aranha, um homem soberano, o diplomata intrépido e sem sono que presidiu as decisões da ONU, legando ao mundo o seu valor pampeano! Homens perenes como a pedra moura... Somando, assim, João Neves da Fontoura, o lenço branco há de voltar à carga e, improvisando um improvável ato, ganha o país, unido ao maragato, e o passa ao mando de Getúlio Vargas!
IV Eu trago um lenço branco no presente... O mesmo lenço que Getúlio, um dia, honrou com luta, verbo e primazia sendo o maior dos nossos presidentes!
Em seu tecido há a chama sempre ardente onde a República esquentou a forja, no ventre fértil da cunhã São Borja para ganhar, depois, forma imponente!
De seu alvor, desencardiu- se a poeira, suor e sangue de incursões guerreiras; limpou-se o ódio de um a outro irmão...
Mas, quando o ato no pescoço, eu penso o quanto a Pátria deve a esse lenço pleno de paz e de revolução!