A Fronteira
Além de todos os marcos, das pontes e das divisas, depois dos campos e cerros que somem sob o horizonte, há uma fronteira cortada que o tempo não cicatriza; nela se ocultam as horas dos amanhãs e do ontem...
Além dos rios e dos mapas da velha cartografia, do outro lado do mundo, dos mares, dos oceanos, há uma fronteira perdida que, inabalável, espia nossos receios e sonhos, projetos e desenganos...
Mas, de uma hora pra outra, alguém a enxerga de frente... Basta-lhe um passo e ela chega, nesse fatal improviso! Há quem o tempo devora, porém bem mais lentamente, como se a própria fronteira, antes, mandasse um aviso...
Depois dos vales e selvas, planícies e depressões, além de todos os dias, após a própria presença, sobre as montanhas mais altas, sob o calor dos vulcões, há uma fronteira que iguala toda e qualquer diferença!
Há uma fronteira que habita a escuridão e a fumaça... Ás vezes mostra-se inerte, por outras segue ligeiro... Ela não tem preferências de classe, credo ou de raça, embora os mais excluídos tendem a vê-la primeiro!
Nessa fronteira de espelhos se vê passado e futuro, um fino traço separa quem é, daquele que foi... Quem a transpõe não consegue voltar de dentro dos muros, quem fica guarda a certeza que há de cruzá-la depois!
Minha esperança reside NAQUELE que, há dois mil anos, ao retornar da fronteira provou a Força que Tem! Quem acredita na Vida que segue além desse plano, não teme a velha fronteira; sabe onde vai, de onde vem!