Um dia o homem acordou sozinho
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olhou em volta e avistou o nada... Não encontrou ninguém pelos caminhos, nem viu a vida no sem fim da estrada...
Buscou a sombra de um capão copado que o sol a pino já lhe castigava... Porém o fogo o havia devorado e o vento erguia a cinza que sobrava!
Buscou o rio para saciar a sede que ressecava a boca silenciada... o rio se fora e só deixara as redes na terra seca que restou trincada!
Buscou o trigo para o pão dos dias, que a fome vinha cada vez mais perto... Andou por Campos, largas sesmarias, e viu que tudo se tomou deserto!
Buscou alguém pra repartir o medo, ninguém havia nessa imensidão... Mais procurava a chave do segredo, mais se perdia dentre a solidão!
Nem outras plantas a animais... "Pudera! O dia havia de chegar!", pensava... O mundo velho era um galpão tapera onde somente ele continuava!
Um dia o homem acordou sozinho na cobertura de um arranha-céu, tal fosse um pássaro que fez o ninho e se perdeu para viver ao léu!
Lembrou de tudo o que havia sonhado, lavou o rosto e viu pela janela: toda a cidade de concreto armado e as poucas arvores que restam nela!
As águas turvas que passeiam tristes no rio que banha toda a capital, que, poluído, ainda assim, resiste levando a vida pelo seu caudal!
Viu, da janela, mais alem das ruas, o campo verde a persistir sereno, embora a sina que se perpetua, de mais queimadas e de mais veneno!
Viu que as pessoas não se compadecem umas das outras, nesse desalinho... Viu as crianças que, na rua crescem, será conhecer o amor e o carinho!
Lembrou do sonho, permanente espinho, e finalmente, súbito, entendeu que, um dia o homem acordou sozinho por se afastar cada vez mais de DEUS!