Carregando poesias…Acervo
20 poesias
Cândido Brasil
Tempo atrás peleou lindo, honrando a pátria gaúcha. Sua memória hoje puxa os entrechoques já findos,
Cândido Brasil
I Foi o ponto de partida: O rincão. Da epiderme verdejante das campinas e o colorado do pó das estradas de clhão,
Cândido Brasil
Era a “Terra de Ninguém” o pago largo nos vales, a terra era sem males e era de todos também,
Cândido Brasil
Campo aberto, sobejo... onde o pago suspira, o vento toca sua lira com um campeiro arpejo e o senhor tempo, andejo, ao tranquito se embala, com seus passos de bengala, entre um e outro bocejo...
Cândido Brasil
Nasci crioulo nessa plaga campechana, que se esparrama pelas várzeas e coxilhas; Guasca terrunho com a alma aragana, raça pampeana da estirpe farroupilha.
Cândido Brasil
Abre-se a pálpebra do dia descortinando a manhã, bocejando num afã de alumbrar sesmaria,
Cândido Brasil
O sul rural nativista é uma obra idealista do Deus supremo artista, arquiteto e dramaturgo, cuja inspiração divina iluminou a retina e na Santa Catarina criou a bela Fraiburgo.
Cândido Brasil
Bem ao sul do sul do mundo, na gênese da criação, à luz da evolução, eu estava aqui no fundo
Cândido Brasil
Surge dos quatro elementos neste garrão do Brasil, dos altos do céu de anil numa tormenta de vento,
Cândido Brasil
Meu herói não usa capa, meu herói usa um lenço, topetudo e suspenso que no pescoço empapa,
Cândido Brasil
Gaúcho flor de campeiro, assim nasci e me criei, tendo meus pingos de lei na forma, o tempo inteiro,
Cândido Brasil
Nasci do ventre pampeano da mãe terra missioneira, carregando a bandeira do solo republicano;
Cândido Brasil
Um vento matreiro assovia nas frestas, fazendo serestas no galpão campeiro e um trasfogueiro de calor intenso exala incenso da flor do braseiro.
Cândido Brasil
Em nome da pauta, da pena do poeta, da mente inquieta e da alma incauta, do real e além, do verbo e do canto, do Espírito Santo da Poesia, Amém!
Cândido Brasil
O dia vai fechando os olhos e a tarde relaxa o músculo, puxa o pala do crepúsculo e vai cobrindo restolhos, deixando imagens em molhos, ao calor dos raios do sol
Cândido Brasil
Ponteio, canto e opino, opino, canto e ponteio e a lo largo bombeio o tremor do sol a pino
Cândido Brasil
Ao trote foi se chegando em riba dum mouro velho, Pelego de lã vermelho e as esporas tilintando... O pingo vinha no embalo de estampa aperada, Casco e crina aparada, cola atada a canta-galo...
Cândido Brasil
Clareia o dia e um galo canta austero, um quero-quero alça vôo em saudação e o gaúcho que saltou com a boeira, se encontra à beira do velho fogo-de-chão.
Cândido Brasil
O pó do barro da terra é a origem de onde vim, sou matéria que encerra princípio, meio e fim,
Cândido Brasil
Meu verso negro e guerreiro ecoa nas plagas pampeanas, com raízes africanas vindas em navio negreiro. Traz consigo a humildade dos carentes de afetos, nos idiomas e dialetos do berço da humanidade. Meu verso negro de paz e esperança nas falas, tem o cheiro das senzalas e o axé dos orixás. Tem a fé das religiões com macumba e umbanda, pretos velhos e quimbanda pelas Casas de Nações.