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15 poesias
Moacir D'Ávila Severo
O Sol desce na amplitude do espaço Na intensão de esconder-se no horizonte, Rosto redondo, com sorriso encabulado, Ruborizando o azul da água da noite.
Moacir D'Ávila Severo
Liberdade devia ter A força da expressão, Pra que se usasse no canto O total da inspiração.
Moacir D'Ávila Severo
Minha velha, pega a cuia, Vamos matear, só nós dois. A vantagem destas brigas É o perdão que vem depois.
Moacir D'Ávila Severo
A tarde passava ao tranco. Das nuvens um choro manso Ao despacito encharcava As paredes do aposento.
Moacir D'Ávila Severo
Teu calor, como espinilho, Braseando um fogo de chão, Vem secar-me das angústias De uma chuva solidão.
Moacir D'Ávila Severo
A tropa aponta na ponta da estrada Maleva que leva ao Juízo Final. Ergue-se à poeira, parda bandeira, Em cerimônia a um funeral.
Moacir D'Ávila Severo
Cristalinas águas mansas que passavam Como tropas no reponte ao Ibicuí. Quantas delas ondularam minha imagem A zombar da minha pretensão guri.
Moacir D'Ávila Severo
Sou sede de tanta gente Por este mundo sem fim, Sou clamor dos sufocados Que acham falta de mim.
Moacir D'Ávila Severo
Quando debatem guitarras Nas farras de pulpeiras, A milonga chega calma, É alma destas porfias.
Moacir D'Ávila Severo
Pateou cobertas pra saborear o silêncio Que a madrugada oferece a quem medita. Nada melhor que a parceria do "amargo" Pra voltar ao tempo onde o coração palpita.
Moacir D'Ávila Severo
A praça é pomposa, tem caros adornos. Uma estátua de bronze enaltece um herói. Contrastando, um menino de pele judiada Com a caixa no ombro seu mundo constrói.
Moacir D'Ávila Severo
Pala branco encobrindo sesmarias, Espelho claro, pedaço de céu campeiro, Onde o vento, pacholento, assovia Repontando mansas tropas de veleiros.
Moacir D'Ávila Severo
Na estampa um pobre louco, Na alma um guitarreiro. Como abrigo a mão alheia, Por querência o pago inteiro.
Moacir D'Ávila Severo
Num passo ao compasso Do impulso do peito. Paixão pela Pátria Que perdeu a paz.
Moacir D'Ávila Severo
Meu verso é um grito liberto da alma Só faço protesto se a dor me invade A inspiração não se curva prá regras E para a expressão tem que haver liberdade