Um Pouco que Sou
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Desde o dia em que nasci Ganhei uma herança Farrapa Da nossa querência farta Sou a cuia de chimarrão Eu sou o fogo de chão, Sou esperança, sou fé Eu sou o grito de Sepé De lança firme na mão.
Eu sou o peão mandalete Que leva ordem e que traz Sou calmaria, sou paz Também sou taura forte Sou carreta de transporte Que cruzou campos e matos Sou gaúcho dos mais natos Que brigou até com a morte.
Eu sou tropeiro andarilho Que tropeou pelo Rio Grande Sou bravura que se expande Que neste meu peito brota Sou o barulho da rota Numa vaneira marcada Sou grito da peonada Ao ver estourar uma tropa.
Eu sou o churrasco gordo Que pinga em cima da brasa Sou truco que a cada vasa Sempre está pintando flor Sou puaço de trovador. Eu sou água da colina. Sou o pedido da china Não vai embora meu amor!
Sou uma cordeona que chora Num rancho ou numa ramada Eu sou o tinido da adaga No topo de uma coxilha Sou sinuelo da tropilha Que enfrentou muita peleia Mas trago nas minhas veias Uma herança Farroupilha.
Eu sou filho do Rio Grande E neto de Encruzilhada Sou peão que topei parada Pelo Rio Grande sem luxo Mas eu sou o sangue gaúcho Que em qualquer pago que ande Pra defender o Rio Grande Morro queimando cartucho.