Ultima Campereada
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Me lembro como agora Eu era ainda piazito E me criando aos pouquitos Mas no coração uma dor Sentindo aquele amor Que em meu peito doía Esperando a cada dia Pra ganhar aquela flor.
Chinoca muito singela Igual água de cascata. Tinha o aroma da mata Como o perfume que usava. Quando por mim ela passava Era linda aquela flor Cada dia nosso amor Aumentava...aumentava...
Quando foi um certo dia Não agüentando esta dor Falei que sentia amor. Seu lindo corpo, abracei. O que sentia, contei, Em seus lábios dei um beijo, Que lhe amava confessei.
Passaram dias e meses Os anos passaram também Quando eu não via o meu bem, Os dias passavam tristes, Lembro que a ela eu disse Numa festa na fazenda Pedi para aquela prenda Que comigo ela fugisse.
Ela pensou mais de um mês, E a resposta me deu, Aceitou o convite meu Somente por me amar Me abraçou, e pegou a chorar. Disse: eu explico pra ti, Se o meu pai descobrir Ele pode nos matar.
Não importa o que aconteça Por ti mato ou perco a vida O que interessa querida É que tu me ames de verdade Pra nós termos felicidade Venha morar no meu rancho Nossas vidas terão descanso, Também acaba a saudade.
Marcamos o dia e a hora A prenda, eu fui buscar, Meu pingo, fui encilhar, Tirei os aperos do gancho E num trote de carancho Fui saindo de upa e upa. Botei a prenda na garupa E rumei para o meu rancho.
Galopando em meu cavalo Eu fazia muitos planos, A vida tem desenganos: Existe o azar e a sorte, Quando eu fazia o transporte Daquela linda sereia, Numa planchada mui feia Senti o arrepio da morte.
Eu quebrei o braço e a perna Naquela triste rodada E a minha prenda coitada, Sem levantar a pobrezinha Quando contou o que tinha Meu coração quase parou, Mui triste ela falou: Quedo: quebrei a espinha.
Foi triste ver a chinoca Mulher que dei meu amor Sofrendo aquela dor E eu sem poder curar Muito triste a chorar Dizia aquela mulher: Pode dar as voltas que der Não deixarei de te amar.
Sem solução pro problema Eu sofri desconsolado Sendo eu o grande culpado De tudo que aconteceu Nas voltas que o mundo deu Passaram dias e semanas A prendinha aragana Num triste dia morreu.
Daquele dia em diante Senti que morri também Com a prenda do meu bem. Foi triste o meu abalo No meu coração tem calo Que a cada dia me atrasa Nunca mais saí de casa Nem mais montei a cavalo.
Por causa daquela tragédia Meu viver não tem sentido O que eu tenho sofrido Para evitar esta dor. Eu sou um jardim sem flor Minha vida não vale nada Foi minha última camperiada Na cancha reta do amor.