Alma em Verso
Acervo

Poesias de Apparício Silva Rillo

123 poesias

  • Romance de Pena Larga

    Apparício Silva Rillo

    A uns diz que foi o noivo, a outros, que o primo foi. Mas fosse o primo ou o noivo, fosse o destino ou a vida

  • Romance de Volta-e-Meia

    Apparício Silva Rillo

    Botei um culo-clavado num tiro mui chamboneado de pouca volta e mau rumo. Cambeio a tava por outro.

  • Romance do Arrendador

    Apparício Silva Rillo

    Vendeu os gados e arrendou os campos. Reservou-se apenas, as casas da Estância,

  • Romance do Carreteiro

    Apparício Silva Rillo

    Morreu largado e solito num fim de tarde pampeano. Pouco depois que a boiera acendera o seu foguito

  • Romance do Injustiçado

    Apparício Silva Rillo

    Como talhado em pau ferro o carão de traços duros. O bigodão mal cuidado desabando sobre os lábios

  • Romance do Mouro velho

    Apparício Silva Rillo

    Despionei-me, da última fazenda que nem para patieiro eu já servia. Velho, sofrido, sem china para arrimo, eu sou uma luz de boieira ao fim do dia.

  • Romance do Peão Pobre

    Apparício Silva Rillo

    Toca o tropeiro o matungo fazendo a ronda ao passito, lembrando um rosto bonito que na memória se estampa,

  • Romance do voluntário

    Apparício Silva Rillo

    Voluntário em Vinte e Três, Chico-Pequeno, um piá, deixou rastro na memória dos que pelearam a seu lado

  • Romance dos Três Lenços

    Apparício Silva Rillo

    Eu tive um lenço pachola que agora não tenho mais. Lenção de cor colorada como a flor da corticeira

  • Romancinho

    Apparício Silva Rillo

    “Em Caminhos de Viramundo. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1979” Mirava a lua no açude.

  • Se a Ventura Fosse China

    Apparício Silva Rillo

    Afino o pinho e a garganta para contar a história, daquela china simplória que tentou me engambelar.

  • Ser um Homem do Campo

    Apparício Silva Rillo

    Ser um homem do campo é estar na cidade de terno e gravata e ter a alma debruçada sobre os ombros como um pala de seda retovado

  • Sucessão

    Apparício Silva Rillo

    Ter sido não é ser, é perceber-se na estampa do retrato dos avós, é estar além do vidro das molduras

  • Tangolomango

    Apparício Silva Rillo

    Eu já tive sete amores, um morreu, ficaram seis. Dos seis amores que eu tinha um partiu, ficaram cinco.

  • Tapera

    Apparício Silva Rillo

    Quando o guasca deixa o rancho no abandono, o rancho vira tapera, cria morcego e cupim.

  • Taquara, Lança e Balaio

    Apparício Silva Rillo

    Caminham guaranis pelas estradas, trapos de gente se arrastando a pé, resto da raça dos meus Sete Povos, últimas crias do sêmem de Sepé.

  • Tema de Esquila

    Apparício Silva Rillo

    Esquilei a safra inteira desde as barras da manhã. O tempo trouxe o inverno, meus filhos não tinham lã.

  • Um Rio em Mim

    Apparício Silva Rillo

    Encontrei-te encharcada pela chuva - o céu se derramara sobre ti. Teus seios eram cômoros de areia e a água que escorria dentre eles

  • Velha Faca

    Apparício Silva Rillo

    Um palmo e pico de aço, rude e glorioso pedaço da espada de um general. Cabo de prata estrangeira

  • Ventania

    Apparício Silva Rillo

    Me chamam Ventania porque estou sem estar e sem asas ou plumas me vêem a voar.

  • Ventre-Lua

    Apparício Silva Rillo

    Teu ventre, lua morena cortada em fio de minguante, plantado em grãos de ternura fez a semente madura,