Alma em Verso
Acervo

Poesias de Dimas Costa

66 poesias

  • A Fala Do Velho

    Dimas Costa

    Deixai-me dizer de um tempo que eu tive: De um tempo de coisas de nomes antigos; De coisas tão lindas que a gente entendia.

  • A Filha

    Dimas Costa

    Melenudo, barba grande Maltrapilho todo imundo O pobre do vagabundo Na frente do casarão

  • A Gauchinha

    Dimas Costa

    Vejam só esta gaúcha Se não é um monumento. Não riam se sou pequena, Tamanho não é documento.

  • A Lenda da terra gravida

    Dimas Costa

    Quando a terra ficou grávida para parir o homem, enfeitou todo o seu corpo com campos, matas e flores;

  • A Lenda e a Prenda

    Dimas Costa

    Das raças que se fundiram Criando a nossa feitura, Eu tenho a fibra e o sangue Que me faz ser uma Prenda

  • A Liçao do Guri

    Dimas Costa

    Pequeno, muito pequeno, recém ensaiando os passos, mas já trazendo nos traços fibra da xucra herança

  • A Minha Felicidade

    Dimas Costa

    Embora assim pequena Vestindo saia de chita E andando de pés no chão Eu já sei cantar no verso

  • A Morte do Brigadiano

    Dimas Costa

    Houve o tempo em que a "folha" era a arma respeitada, pois assim era chamada a espada do brigadiano.

  • A Reza de um Grosso

    Dimas Costa

    Um peão desses de estância, bem xirú e bem grosso, criado sempre no campo, um dia foi ao “povo”, resolveu chegar na igreja. Atou o “pingo” na porta, meio sem jeito, mas decidido, entrou foi até o altar e diante da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, começou a “rezar” assim: Jesus: Eu só sei rezar male-male a Ave Maria.

  • A Tradição

    Dimas Costa

    Venho dos fundos dos séculos, Da eternidade, talvez. Desde que o mundo se fez No eclipse universal,

  • Aparição

    Dimas Costa

    Eu vi, sim Nossa Senhora desce, descer, inda agora, das pontas daquele cerro... Foi milagre! Foi milagre!

  • Apelo as Geracoes

    Dimas Costa

    Sob o sol de um novo mundo, Retovado de progresso, A alma, num retrocesso A um passado sempiterno;

  • Aprumando o Rumo

    Dimas Costa

    Mandei fazer umas botas Russilhonas, sob medida, Quero romper para a vida Com esse garbo arrojado,

  • Aves da Tradição

    Dimas Costa

    Meu João-de-Barro arquiteto, Meu canário cantador, Meu Bentevi alcoviteiro, Meu dourado Beija-flor.

  • Borracho

    Dimas Costa

    Borracho! Era como me chamavam, E tinham toda a razão! Beber era uma devoção, E eu vivia embriagado.

  • Brinquedo Antigo

    Dimas Costa

    Quando eu brinco com mamãe Eu aprendo até a cantá. Nos brinquedos bem antigos Que ela gosta de ensiná:

  • Brinquedos de Guri

    Dimas Costa

    Tropa de osso, gravetos, Laço de imbira ou cipó, Assim brinca o guri Mui faceiro e mui ancho,

  • Bruxinha de Pano

    Dimas Costa

    Nana filhinha Dorme meu bem Mamãe ta solita E o bicho aí vem

  • Cacimba

    Dimas Costa

    Cacimba de água clara, espelho da minha infância. Cacimba onde em criança tantas vezes fui bombear

  • Chimarrão

    Dimas Costa

    Levanto sempre cedito, bem na penumbra do dia e embebido na poesia duma xucra inspiração;

  • Como se Transmite a Tradição

    Dimas Costa

    Minha mãe me deu as bombachas, As botas me deu o pai. E lá das bandas do Uruguai, Um tio, chamado Lourenço,