Tapera
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Quando o guasca deixa o rancho no abandono, o rancho vira tapera, cria morcego e cupim. Mas nem sempre, lhe afianço, é bem assim! Deixei meu rancho um dia - flor de rancho! - e me botei no rastro da Ventura - essa china gaudéria! Le conto, passei trabalho, o sinuelo da miséria me levou por cada atalho que era só puro atoleiro. Muito inverno sofri nessa procura, nem notícia me deram da Ventura - essa china gaudéria! Um dia, desiludido, inverti o rastro, dobrando légua eu pensava que havia de encontrar o rancho velho já chegado pro fim, virado em tapera, comido de cupim. Mas qual o quê, seu! O rancho estava de pé, fresta nenhuma nas taipas, rombo algum no santa-fé! Parei, cismando nomais... Todo o passado perdido me doía e a mágoa o coração inteiro me roía como formiga vermelha de cupim. Olhei pro rancho...e pra mim: - as bombachas crivadas de remendos à feição de uma colcha de retalhos. O velho poncho com rasgões e talhos, as botas quase sem sola. O matungo estropiado, magro e velho, já nem podendo com a cola. A mágoa que então me deu! - O rancho fora o mais rijo, e a tapera...era eu!