Romance do Carreteiro
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Morreu largado e solito num fim de tarde pampeano. Pouco depois que a boiera acendera o seu foguito num resto de sol poente que nas barras do horizonte ficara luciluzindo... As quatro juntas de bois recém-largadas da canga iam descendo ao passito rumo às barrancas da sanga, enquanto, sobre a distância, um joão-grande que voava no quase-noite da tarde riscava um traço de giz. Decerto morreu contente morrendo do coração. Quase à sombra da carreta que por mais de trinta anos lhe fora um lar sobre rodas - tenda andarenga de ofício, cozinha, quarto e galpão... Morreu solito e largado como solito vivera, sem ter outra companheira que não fosse a solidão. Só o guaipeca a seu lado, sem entender a razão pela qual o carreteiro nessa noite se acostava sem mesmo acender o fogo para a bóia e o chimarrão... E enquanto a noite descia vestida num poncho negro tudo furado de estrelas, um vaga-lume do campo bem na ponta da picana prendeu um facho de luz. E a picana transformou-se num passe de assombração: - círio de ferro e taquara, velando o taura defunto deitado junto do cão...