Alma em Verso
Poesia

Romance de Volta-e-Meia

Apparício Silva Rillo

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Botei um culo-clavado num tiro mui chamboneado de pouca volta e mau rumo. Cambeio a tava por outro. Nem assim se altera a potra, não dou suerte e não me aprumo. Xô-mico, que até parece praga feia de madrinha! Minha sorte é tão mesquinha que eu acho até que adivinha quando a volta me vem mal. Se atiro de duas voltas o garrão não se desdobra. Se faço corpo de cobra e atiro de carreteiro, ali no mais o coimeiro se bota de cara feia. Aventuro a volta-e-meia. Ou vai faltando ou com sobra e é uma tristeza depois: dá no barro e arma o pulo e quando escapa do culo me perfila um trinta-e-dois. Não há tatu com dois rabos! e empeço com mais coragem. Alço o garrão, dou vantagem, se alguém me copa, estradulo. Baralho o osso, calculo pra um tiro de general. Depois... o riso geral de quem jogou contra o tiro, e ali no mais me retiro deixando a tava de culo... Vou no bolicho e dou conta de meio frasco-de-canha. O jogo é de perde-e-ganha e há de dar volta, afinal. Volto pra cancha - mas qual! Quando dá bem me dá güeso, e isto quando me dá. Não clavo nenhuma boa, e o culo já se amontoa que nem cuscada em virá. Se eu fosse supersticioso podia achar que o Tinhoso, por maula ou por capetagem, tivesse tido a coragem de me pôr marca e sinal. Se eu nunca quebrei espelho, se eu nunca derramei sal, se eu nunca escutei na vida galinha cantar de galo no fundo do meu quintal?! Mas então - por que será? Me achico, e vejo afinal que tem razão o ditado? - quem nasceu pra ser carneado sempre acaba no varal...