Alma em Verso
Acervo

Poesias de Luiz Menezes

62 poesias

  • A Morte de Pedro Ninguém

    Luiz Menezes

    Veio a cantiga da noite na garupa do aguaceiro cabresteada pelo vento. Até um relâmpado alçado

  • A Volta do Paisano

    Luiz Menezes

    Prenderam porque prenderam Nem lhe deram explicação... Só mais tarde na cadeia lhe disse: “à vontade,

  • Acalanto do Homem só

    Luiz Menezes

    Olhou para as mãos trêmulas Para os braços descarnados, Com o olhar vago e cansado Lutando para enxergar.

  • Alegoria ao Jarau

    Luiz Menezes

    Os cerros do Jarau São pirâmides pampeanas Que algum FARÓ divino Aqui no pago plantou.

  • Alem do Horizonte

    Luiz Menezes

    E todos disseram que além do horizonte há um mundo tranqüilo que todos esperam

  • Andarilho

    Luiz Menezes

    Que faço eu à beira do caminho A esperar sem saber o que seja? Quem sabe encontre aqui, assim sozinho Uma resposta pra minh’alma andeja...

  • As Cruzes

    Luiz Menezes

    A moça era linda como a luz da aurora Seus cabelos negros como picumã. Tinha olhar profundo, misterioso e vago Escondendo o trago do vinho do mal...

  • Assombração

    Luiz Menezes

    Rastreando recuerdos Meu verso se perde Entre muitos atalhos.

  • Atalhos

    Luiz Menezes

    Boleio a perna de distantes plagas Por onde andei desde que fui daqui, Cantei amor em luas diferentes... Volto mais velho, velho QUARAÍ.

  • Barro e Sol

    Luiz Menezes

    Nos dias negros de panelas magras Quando até a fome é canto de esperança, Olhava a estrada, cismarento e mudo... Mas era moço e a vida uma promessa.

  • Brinquedos de Guri

    Luiz Menezes

    Quando arriba do galpão, o sol vai perdendo pé E as casas de Santa-Fé desenham sombras no chão,

  • Cacimba

    Luiz Menezes

    Junto à cacimba ali à beira do mato Águas de sombras do arvoredo denso, Sinto tua falta, sinto o teu contato Quando tristonho em ti querida penso.

  • Canto e morte de um Campeiro

    Luiz Menezes

    Na senzala das calçadas Seu poncho agora é a lua Como um retrato da fome -Canto negro da poesia- Insano ser que foi homem Um errante em agonia Inerte a dor que o devassa Na indiferença da rua.

  • Chão Batido

    Luiz Menezes

    No chão batido que enrijece a alma Do meu inverno silencioso abrigo, Ouço a saudade em passos lentos, calma Cortando atalhos pra matear comigo...

  • Coadjuvante

    Luiz Menezes

    Voltas ao palco após um tempo insano Para dar vida a uma cena morta... No drama inverno do meu desengano Quando já nada pra nós dois importa.

  • Coração Bagual

    Luiz Menezes

    Neste meu peito bagual Quanta saudade, xô égua! A mágoa que se carrega E sempre dura de roer

  • Divagação

    Luiz Menezes

    Oh rudes varais da vida! Velha porteira dos sonhos Que aprisionaram meus cantos No potreiro do luar...

  • É Tarde

    Luiz Menezes

    Fica comigo um pouco mais, é cedo! O céu é negro... A chuva cai lá fora; Desfaz do rosto esse torpor de medo, Te aquece ao poncho, não te vás agora!

  • Espera

    Luiz Menezes

    Perdi a conta quantas vezes triste Fui à porteira olhar com ansiedade, Pra esse caminho por onde partiste Deixando ao vento a poeira da saudade.

  • Esta Noite

    Luiz Menezes

    Esta noite vou silenciosamente Meter um trago pra matar a sede; Quero canto, violão quero ouvir gente Cansei de conversar com as paredes...

  • Faz Tanto Tempo

    Luiz Menezes

    Era dessas lavadeiras que deixam as roupas bem alvas perfumadas de limpeza...

  • Fiquei Mais Velho

    Luiz Menezes

    Fiquei mais velho com reminiscência Dessas razões que dão à vista a calma, Restando apenas toda a experiência Que faz um velho ser um moço n’alma.

  • Fogueteiro

    Luiz Menezes

    Mas oigate vida “braba”! Que profissão desgraçada... Era um forte e, no entanto Vivia a margem da sorte.

  • Galpao

    Luiz Menezes

    Velho galpão és o santuário do gaúcho Como o mais firme palanque de emoções. Tu representas toda a fibra de uma raça Que se tempera nos brasedos dos fogões.