Brinquedos de Guri
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Quando arriba do galpão, o sol vai perdendo pé E as casas de Santa-Fé desenham sombras no chão, Há um soluço de amplidão, Na planura enssolarada Hora de tudo e de nada, Quando a própria natureza Fica bombeando surpresa as artes da gurizada.
Eu também já fui guri, e brinquei junto aos galpões, palanqueando redomões assim na comparação, de sabugos, que ilusão, formou a mais linda tropa que ainda hoje galopa cá dentro do coração.
E enquanto assim eu brincava Atento ao olhar paterno, Não pensava que o inverno Da velhice ia chegar E ali, naquele lugar Que outrora foi minha estância Deixasse o tempo e a distância Uma saudade morar.
Nem mesmo a mãe natureza Ao retornar, na verdade Me deu a felicidade De ver o sol no galpão Pra desenhar junto ao chão Uma figura alongada Com anseios de amplidão.
Mas eu voltei velho sol Voltei a velha querência, Pra prestar referência Ao palmo e meio de chão E aquele velho galpão Que a mão do tempo conserva Como última reserva, da gaúcha tradição.
Voltei enfim pra rever, A mim próprio nesta imagem, Pra colher na passagem Tudo que deixei ali... Pois quando me for daqui Para o céu tenho certeza, Quero levar, que beleza Meus brinquedos de guri