Alma em Verso
Poesia

Canto e morte de um Campeiro

Luiz Menezes

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Na senzala das calçadas Seu poncho agora é a lua Como um retrato da fome -Canto negro da poesia- Insano ser que foi homem Um errante em agonia Inerte a dor que o devassa Na indiferença da rua. Estende a mão a quem passa Súplicas de glória sina Eu sei que existem mendigos A cantar em cada esquina Em cada alma que existe. O funeral da desgraça. Os alegres que são tristes E os tristes que não são. E dizer que este farrapo Enquanto alguns pedem pão Na ironia do destino Outros ganham o universo... Foi um campeiro menino É o próprio inverso do verso Parou rodeio e lançou... Do poema da incompreesão. E quando a infância acabou E a realidade doida. Ò Deus apagai da face Jogou-lhe na urbana vida Desse mendigo, a tristeza: Na sorte que não domou Em sonho dai-lhe a beleza Da velha querência em flor... Apunhalou o campeiro Último canto de amor Mais que a desgraça, a derrota Ao deserdado da sorte, Seus pés descalços sem botas Que enfrente de frente a morte Já não pisam na flexilha... Como um gaúcho senhor. O aroma da massanilha Jamais perfumou o asfalto, Daqueles que sonha alto Além da verde coxilha.

E hoje- pátria sem rumo. No purgatório do povo Se pranchou num mundo novo Ante a realidade nua...