As Cruzes
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A moça era linda como a luz da aurora Seus cabelos negros como picumã. Tinha olhar profundo, misterioso e vago Escondendo o trago do vinho do mal...
Por bonita e maula se fingindo sonsa Foi traidora e fria no enredar dois guapos. Ao brincar de amores fez clarear adagas Numa noite negra como a solidão...
Porque Dino e Lima que eram bons amigos Se engraçaram à toa nas changueiras ancas, Do jeito matreiro daquela pinguancha Que mais de que ciúme, preludiava a morte...
Contam que uma tarde lá depois de uns tragos Os dois apostaram que seriam donos... E a trigueira moça dividiu carícias sem saber Que um taura não reparte afetos...
Ambos se perderam num final de noite Disputando a moça que não foi sincera... No amor o guasca joga a própria alma, Porque a honra é preço que só a morte paga.
Riscaram de fogo com raios de adagas O céu frio escuro da desilusão... Era tudo ou nada num jogo sem volta, Quando a fúria acende apaga-se a razão.
Duas cruzes toscas na beira da estrada... Dos causos é intróito, nos tragos da venda. Uma negra estória que de boca em boca Vai varando o tempo, se tornando lenda.