Gloria da Saudade
Luiz Menezes
Eu te agradeço o bem que me fizeste Por esta glória de sentir saudade; Eu te agradeço a lágrima que deste Em holocausto à minha mocidade.
61 poesias
Luiz Menezes
Eu te agradeço o bem que me fizeste Por esta glória de sentir saudade; Eu te agradeço a lágrima que deste Em holocausto à minha mocidade.
Luiz Menezes
Eu sei chinóca, este meu lombo Duro me fez solito, mastigando olvido... Já sem presente sem prever futuro Sigo no rumo do desconhecido...
Luiz Menezes
Era dia de festa. Na ramada, Uma cordeona derramava guinchos Que iam de encontro ao eco dos buchinchos De eras passadas de entreveros machos
Luiz Menezes
Venho do fundo do Tempo Há muitas luas que ando! Sou o presente cantando Na harmonia do passado;
Luiz Menezes
Que se passa contigo, Minuano? Que atropelas o rancho indefeso Espantando o calor que ali dorme
Luiz Menezes
Quando o caudilho se lhes dava o rumo Todos seguiam por ideal no más; Queimando um baio, saboreando o fumo Lembrando o rancho, a china, o nunca mais...
Luiz Menezes
Mulata de ancas bonitas Bolia com o seu instinto... E aqueles cabelos lisos Negros, que iam à cintura,
Luiz Menezes
O Tempo, caramba! Tropeiro da vida Repontou-lhe os dias Mais lindos vividos
Luiz Menezes
Nasceu na invernada Comprida dos fundos No rancho do posto Bem longe de tudo
Luiz Menezes
Passei a vida cantando Como changueiro de tropa De mil donos diferentes E se fizeram rotinas
Luiz Menezes
Aquele rancho Sobre o cerro Tinha dono; Era do velho
Luiz Menezes
Carreteou anos a fio. Conhecia palmo a palmo as estradas da querência; Sabia onde dava passo
Luiz Menezes
Um dia chegou de longe, Nunca se soube de donde... Chapéu quebrado na testa E um lenço preto ao pescoço
Luiz Menezes
Lembras-te amor o quanto era bonito Aquele tempo de ternura imensa, A desfolhar nós dois a mesma crença A sufocar nós dois o mesmo grito?
Luiz Menezes
Cidinha fez sete anos Sem festa, presente, nada... A data só foi lembrada
Luiz Menezes
Uma gota d’água Rolou pelo vidro Da minha janela; Num prenúncio lírico
Luiz Menezes
E mataram Clarimundo! Foi a notícia na venda. Como notícia se emenda A aldeia ficou sabendo.
Luiz Menezes
Que estrela te esconde Professora querida Operária divina Dos meus tempos de piá?
Luiz Menezes
Na luta intensa do amanhã incerto Por onde vivo só reside ainda, Minha ilusão palmeira do deserto Das glórias vãs, o sonho que não finda.
Luiz Menezes
Depois que nossa vida amadurece Nossos dias têm sempre a mesma cor. Onde andarão nossos cantos juventude?
Luiz Menezes
Um dia longe fiz um rancho tosco De pau-a-pique, ficou lindo até. Uma ramada no oitão, florida Que contrastava com o santa-fé.
Luiz Menezes
Quando dou largas a meu pensamento Sinto no peito os entreveiros loucos, Dessa tropilha, - minha mocidade - Que vai morrendo lentamente aos poucos.
Luiz Menezes
Chegou, sem pedir licença Me viu sentado, sentou. Eu esperei que falasse Ela falar, não falou.
Luiz Menezes
Sonhos pueris, fantasias Dos meus tempos de guri; Fui moderno bandeirante Um campeador de brilhante