Preta Velha, Siá Maria
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E mataram Clarimundo! Foi a notícia na venda. Como notícia se emenda A aldeia ficou sabendo. Um piazinho entrou correndo No rancho de sià Maria Preta velha – que ironia! Muito querida no pago, Era a mãe desse índio-vago Que no corredor morria...
Com voz presa na garganta Falou o piá a muito custo, Tinha no olhar o susto De ver o irmão caído... Que lhe importava o bandido No dizer de todo mundo? Pra ele era o Clarimundo! Seu irmão mais velho e pai Que morria sem um ai! Lá na invernada do fundo.
Mas pras preta sià Maria Não precisou que dissesse Porque toda mãe conhece De cada filho o destino... A mãe tem o Dom Divino De anteceder a notícia Clarimundo e a polícia Se encontraram um dia, Por isso ela já sentia Toda angústia do menino.
Depois com o surrado manto Lhe cobrindo a carapinha, Enveredou pra estradinha Que tantas vezes cruzará. A dor lhe sulcava a cara Em saudade gotejando Que ela sentia chorando Por alguém que muito amara.
Foi atravessando a aldeia Com mil lembranças na mente Vendo a maldade da gente Nas expressões mais ousadas... Passou por muitas armadas Sem receber um consolo Quando um borracho, mui tolo, Dominando pela tamanha: Bem feito pr’esse crioulo.
Esqueceram sià Maria Preta velha benzedeira Que sempre fora a primeira Chegar num rancho em apuro... Que só tinha o rosto escuro Porém a alma branquinha, Branca como a carapinha Que lhe contrastava o rosto Franzido pelo desgosto Da própria vida que tinha.
Não lhe perdoaram jamais Seu pobre filho maleva Que penetrava na treva Invernada do gaudério... Ele que já fora um sério, E que morrendo dormia Prás ingratidões do mundo. Por ser mãe de Clarimundo Não perdoaram sià Maria.
E lá se foi preta velha Guiada pelo Senhor O único que na dor Nunca nos deixa solito... Por isso Patrão Benedito Eu rezo de quando em quando, Se estiver no céu chorando Minha mãe por meus pecados Sei que estarás do seu lado Sua lágrima apagando.