Na Ronda do Tempo
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O Tempo, caramba! Tropeiro da vida Repontou-lhe os dias Mais lindos vividos Pra estância do olvido Deixando-lhe só... E o taura, calado Outrora estradeiro, Perdeu-se do rumo De seus companheiros, Que foram os primeiros Bandearem pra lá...
Riscou estes pagos Rasgando caminhos Bebeu largos tragos Na cacimba em flor. Cantou o desamor Do amor que queria, Em horas tardias Com voz suplicante, Foi lírico, amante Boêmio e cantor. Só o Tempo, Senhor, Foi maula e fugaz.
Que amargo é o tempo Que vai e não volta; Se mais lindos os dias Mais célere passa E ainda faz graça Da cara das horas... Só ficam lembranças De breves momentos, Cantigas do vento Da insana invernia, Mais triste, mais fria Pra quem vive só...
À beira do fogo Solito, mateando Há um velho escutando O silêncio sem cor. É o Tempo, Senhor, Cruel realidade Que invade a saudade Na ronda final. É o bem e o mal De mãos enlaçadas, Seguindo as pegadas De um velho cantor...
Na ronda da vida Sou o último quarto E nunca me farto Da ronda rondar... Me emponcho em recuerdos Me agarro às lembranças Num fio de esperança Do meu assobio... E sinto o vazio Da ronda no fim: É o Tempo, caramba! passando por mim.