Estradas de Vida e Tempo
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I Me perco, as vezes, contemplando a estrada Que se prolonga ao rumo do infinito; Atrás, há um rastro de ilusão passada, Á frente, os sonhos de viver bonito.
Há um horizonte que se perde à vista. Uma conquista, talvez impossível, Por mais que, às vezes, a luta persista. Sempre há um espaço para o inevitável.
E quem, solito, a estradear se solta, Talvez se perca e não encontre a volta Porque essa estrada nunca cheda ao fim.
E eu que persigo os sonhos nas distâncias. Vou, a lo largo, repontando as ânsias, Que se entropilham ao redor de mim.
II Chego a pensar que as encruzilhadas São quem definem os nossos destinos. Não sei porque, mas sempre escolho estradas, Onde transitam, só teatinos.
Encontro alguém, que trazem no semblante, Marcas profundas de desilusão; Almas sofridas, com destino errante, E o amor ausente no seu coração.
Existem outros, de sorriso aberto, Que embora vaguem por caminho incerto, Jamais se entregam pra adversidade.
São os centauros, meio potro e gente, Pra quem o mundo sempre é diferente E não tem preço a sua liberdade.
III Há os que enveredam por estradas tortas Onde o abismo é o fim da jornada, Só ilusão e esperanças mortas Vivem os sonhos de quem busca o nada. Então pergunto- Por que estrada eu sigo Na encruzilhada que me surge à frente? Já sinto o tempo a caminhar comigo, Seguindo, aos poucos, no rumo do poente,
O que eu não quero é ver chegar o fim, E ouvir o tempo a gargalhar de mim Por ter seguido a direção errada.
Não porque a vida já me fez covarde, Mas chega um dia em que se torna tarde O recomeço de uma nova estrada.