Noite de Agosto
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Caiu a noite mais braba D’uma invernia de agosto, Onde a neblina trançada Batia de encontro ao rosto
Nos porões das casas velhas Os cuscos choramingavam E as vacas, de lombo arqueado Rente aos galpões se abrigavam
Pelas narinas do pingo, Baforadas de fumaça Se misturavam à garoa,
E esse instinto de centauro Fazia homem e cavalo Andar gauderiando, à toa.
Quem visse, a noite cerrada, E no adiantado das horas O cadenciado dos cascos, Contraponteando, as esporas,
Um vulto se agigantava, Se olhado contra o horizonte, Escuro, da cor da noite, Cortando a crista do monte
Por certo, se bem pensassem, Diriam que alguém, no povo, Perdera a noção da hora,
Ou, que o vulto solitário Era um fantasma sem rumo, Vagando, campos a fora.
Mas pra tudo, neste mundo, Sempre há motivo ou razão, E a noite braba de agosto Acoçou-lhe o coração
Sentiu bater-lhe a saudade Contra a muralha do peito, Não há cerca que aprisione Um amor insatisfeito
E o pingo lhe foi parceiro; Seu dono não resistia Cruzar uma noite assim,
Porque a invernia de agosto Trazia pra seus desejos Uma agonia sem fim.