Mala de Riscado
João Batista de Oliveira Gomes
Agora eu vou falar Aquilo que eu não falei, Vou contar bem direitinho Esta estória que eu sei,
55 poesias
João Batista de Oliveira Gomes
Agora eu vou falar Aquilo que eu não falei, Vou contar bem direitinho Esta estória que eu sei,
João Batista de Oliveira Gomes
Lá por mil oitocentos e noventa e três Em meio a Revolução... Muita gente foi tombando, o porquê ninguém savia. Entre eles, inocentes,
João Batista de Oliveira Gomes
Era pobre, muito pobre Porém feliz o menino, E já trazia um destino Que ele não entendia,
João Batista de Oliveira Gomes
Nun entreveiro de versos Com entreveiro de danças, Ás vezes a idéia balança Mas o verso vem brotando,
João Batista de Oliveira Gomes
Terra que eu amo tanto, Digo isto e te garanto Esta é a realidade, Terra buena de fato
João Batista de Oliveira Gomes
Gaita velha companheira Tu que sempre me acompanha, Nas festanças da campanha Fazendo a animação,
João Batista de Oliveira Gomes
Morena não fiques triste Porque está chegando a hora, Eu não posso mais ficar Eu preciso ir embora,
João Batista de Oliveira Gomes
Naquele tempo que as estâncias Eram ilhas culturais, Pra cercar os animais Sem taipas nem alambrados,
João Batista de Oliveira Gomes
Num tranquito meio lento Já com o pingo estropeado, Chapéu e pala empoeirado De uma longa tropeada,
João Batista de Oliveira Gomes
Era domingo, dia de carreira Na cancha reta da estância Pois reuniu-se a vizinhança E muita gente de fora,
João Batista de Oliveira Gomes
Eu que sempre fui gaúcho De cultuar a tradição, Onde vou levo comigo A cuia de chimarrão,
João Batista de Oliveira Gomes
Menina me escuta agora O que eu tenho pra dizer, Será que tu não percebes Que és o meu bem-querer,
João Batista de Oliveira Gomes
Gaudério é aquele peão Que não tem morada certa, É índio que não se aperta Quando o lugar é folgado,
João Batista de Oliveira Gomes
Na fazenda São José Onde uns dias eu passei, Pois lhe digo que gostei E não esqueço jamais,
João Batista de Oliveira Gomes
Deu bueno mesmo de fato Este petiço rosilho, Que criei desde potrilho. Às vezes ficava olhando
João Batista de Oliveira Gomes
Patrão velho peço licença Entro de chapéu na mão, Dobrando o joelho no chão Eu faço o sinal da cruz,
João Batista de Oliveira Gomes
Simplesmente sou uma prenda Bem jovem ainda estou, Alguém já me perguntou Porque amo tanto este pago,
João Batista de Oliveira Gomes
Nesses versos que eu canto Eu vou contar pra vocês As proezas de um gaudério E de uma viagem que ele fez
João Batista de Oliveira Gomes
Ao serrar a armada grande Bem no fim da campereada, Já peço ao patrão da estância Ao capataz e a peonada,
João Batista de Oliveira Gomes
Hoje é uma menina moça Bem na flor da mocidade, Cheia de felicidade Quinze anos completando,
João Batista de Oliveira Gomes
A você meu velho pai, Que me escuta lá das alturas Excelente criatura Nos anos que aqui viveu
João Batista de Oliveira Gomes
Hoje é dia de encontro Da peonada no galpão, Pra um trago, um chimarrão E muito verso que sai,
João Batista de Oliveira Gomes
Aconteceu um encontro Entre amigos e família, Na semana farroupilha No aconchego de um galpão,
João Batista de Oliveira Gomes
Pois eu tenho sim senhor, Terra boa de valor Pois foi lá que eu nasci. Eu era bem criancinha