Romance do Carreteiro
Apparício Silva Rillo
Morreu largado e solito num fim de tarde pampeano. Pouco depois que a boiera acendera o seu foguito
120 poesias
Apparício Silva Rillo
Morreu largado e solito num fim de tarde pampeano. Pouco depois que a boiera acendera o seu foguito
Apparício Silva Rillo
Como talhado em pau ferro o carão de traços duros. O bigodão mal cuidado desabando sobre os lábios
Apparício Silva Rillo
Sempre a tocar o cavalo João da Gaita se criou. Nem sabia o que buscava
Apparício Silva Rillo
Despionei-me, da última fazenda que nem para patieiro eu já servia. Velho, sofrido, sem china para arrimo, eu sou uma luz de boieira ao fim do dia.
Apparício Silva Rillo
Toca o tropeiro o matungo fazendo a ronda ao passito, lembrando um rosto bonito que na memória se estampa,
Apparício Silva Rillo
A filha moça, mocita, na garupa de um gaudério pelo mundão se rolou.
Apparício Silva Rillo
Voluntário em Vinte e Três, Chico-Pequeno, um piá, deixou rastro na memória dos que pelearam a seu lado
Apparício Silva Rillo
Eu tive um lenço pachola que agora não tenho mais. Lenção de cor colorada como a flor da corticeira
Apparício Silva Rillo
“Em Caminhos de Viramundo. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1979” Mirava a lua no açude.
Apparício Silva Rillo
I - RUMO Como terá sido? Quando foi?
Apparício Silva Rillo
Afino o pinho e a garganta para contar a história, daquela china simplória que tentou me engambelar.
Apparício Silva Rillo
Ser um homem do campo é estar na cidade de terno e gravata e ter a alma debruçada sobre os ombros como um pala de seda retovado
Apparício Silva Rillo
Ter sido não é ser, é perceber-se na estampa do retrato dos avós, é estar além do vidro das molduras
Apparício Silva Rillo
Eu já tive sete amores, um morreu, ficaram seis. Dos seis amores que eu tinha um partiu, ficaram cinco.
Apparício Silva Rillo
Quando o guasca deixa o rancho no abandono, o rancho vira tapera, cria morcego e cupim.
Apparício Silva Rillo
Caminham guaranis pelas estradas, trapos de gente se arrastando a pé, resto da raça dos meus Sete Povos, últimas crias do sêmem de Sepé.
Apparício Silva Rillo
Esquilei a safra inteira desde as barras da manhã. O tempo trouxe o inverno, meus filhos não tinham lã.
Apparício Silva Rillo
Encontrei-te encharcada pela chuva - o céu se derramara sobre ti. Teus seios eram cômoros de areia e a água que escorria dentre eles
Apparício Silva Rillo
Um palmo e pico de aço, rude e glorioso pedaço da espada de um general. Cabo de prata estrangeira
Apparício Silva Rillo
Me chamam Ventania porque estou sem estar e sem asas ou plumas me vêem a voar.
Apparício Silva Rillo
Teu ventre, lua morena cortada em fio de minguante, plantado em grãos de ternura fez a semente madura,
Apparício Silva Rillo
É preciso quebrar pedra, Violentar o cal da argamassa. É preciso cavar a terra úmida, Verde de musgo alimentado a músculos.
Apparício Silva Rillo
Antes do trem, chega o apito fino e, agente aque espera o trem toda se empolga para ver o filme que, um dia sim, outro não,
Apparício Silva Rillo
Anca redonda, cinturinha fina... - Como é perfeita a ilusão! Por isso a gente imagina