Romance do Pingo D'Água
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A filha moça, mocita, na garupa de um gaudério pelo mundão se rolou.
A mãe, triste, se pergunta, se indaga se foi pra isso que a pariu e que a criou. O olhar de insônia e de pranto se afunda na várzea longe - nesta várzea fim de mundo por onde a filha se foi.
O pai, xiru quietarrão, ferido muito por dentro sofre a um só tempo por ele, pela filha e a mulher. E a mágoa é tanta, tão grande, que quase nele não cabe. Riscando dois regos claros se derrama pelos olhos para lembrar-lhe, na boca, gosto de cinza e de sal.
Quem disse que homem não chora não teve filha roubada por um gaudério qualquer. O pranto nasce dos olhos mas é cego, não distingue se esses olhos donde brota são de macho ou de mulher.
E no silêncio do rancho donde ausentou-se o sol claro do riso da moça filha, pinga que pinga a goteira mal remendada do oitão. Como se a chuva, entendida da mágoa dos dois velhitos, lá dos olhos da goteira pinga-pingasse aos pouquitos para chorar junto aos dois.
A mesma chuva - culpada! - que apagou no pó da estrada o rastro da que fugiu.