Alma em Verso
Acervo

Poesias de Apparício Silva Rillo

120 poesias

  • Pássaro Rio Grande

    Apparício Silva Rillo

    Era limpo de cinzas seu traço no céu e a estrela boiera alumbrava seu vôo. Um potro de plumas e asas aos ventos que o tempo em seus tentos

  • Pedro Borges, Capitão

    Apparício Silva Rillo

    - Capitão velho de guerra, quem te pôs neste caixão? quem te pôs entre estas velas que tremelicam, ariscas,

  • Perfil

    Apparício Silva Rillo

    Dou rédea aos potros que monto na concha das invenções, puando esporas de tempo no pelo dos redomões.

  • Pesca

    Apparício Silva Rillo

    Na estreita da canoa a linha longa. Nela o anzol - garra na sombra líquida O remeiro e seu ofício de paciência

  • Petiço Velho

    Apparício Silva Rillo

    Este petiço, veterano aqui da estância, foi o meu pingo de infância, meu orgulho de guri.

  • Pingo Velho

    Apparício Silva Rillo

    Pinho velho, empoeirado, escutei neste momento as notas que a mão do vento te surrupiou ao passar.

  • Pipa de Água

    Apparício Silva Rillo

    Sobre um rodado leve de carreta, puxada por um petiço mui velho, lerdo e maceta, esta pipa veterana

  • Poema Circular

    Apparício Silva Rillo

    Não, não me procurem mais no meu velho endereço la no campo. eu estou me mudando,

  • Poema da Prenda Nova

    Apparício Silva Rillo

    Mocinha do rancho da beira da estrada, sem brinco, sem seda, sem chita floreada - a chita floreada que tem lá na venda, floreada igualzinha ao ipé da fazenda

  • Poema Para um Retrato

    Apparício Silva Rillo

    Nesse tempo, as fotografias desse tempo não tinham a nitidez das fotografias de hoje Nem mesmo o colorido que as antigas o tinham no mais íntimo de si.

  • Prendinha

    Apparício Silva Rillo

    Me orgulho deste meu pago Me orgulho de ser prendinha Em minhas veias caminha O nativismo do Rincão

  • Quando

    Apparício Silva Rillo

    Quando o berro do boi fizer-se canto, quando as lavouras se fizerem flor; Quando a mão de couro-cru do pastoreio

  • Quarteada

    Apparício Silva Rillo

    Já muitos quartearam muitos, — seja aqui ou noutra parte - mas poucos quarteiam poucos no dar-se asas à Arte.

  • Quero-Quero

    Apparício Silva Rillo

    Nem que se passe a lo largo Longito do retalho do banhado Onde é teu chão. Nem assim...

  • Recado para eduardo, no seu tempo

    Apparício Silva Rillo

    Isto que lerás, meu afilhado, quando souberes ler e sobretudo entender - E o importante, na verdade, é entender - não chega a ser um poema, me acredites.

  • Recuerdo de Calaveira

    Apparício Silva Rillo

    Eu era um frangote novo, crista curta e meia pua, quando não sei por que lua me deu cambiar de querência.

  • Romance da Mulatinha

    Apparício Silva Rillo

    Ali nascera e vivera na velha Estância da Cruz. Filha de quem? não sabia...

  • Romance da Rosa Plena

    Apparício Silva Rillo

    A Rosa que foi de muitos agora é Rosa de um só. China de casa montada na ruazinha arredada

  • Romance de Dona Constança

    Apparício Silva Rillo

    Porque toda a gente chora quando devia sorrir? Só Dona Constança sabe que era hora de dormir.

  • ROMANCE DE DONA MOÇA

    Apparício Silva Rillo

    Quando meu rio Uruguai, que é meu e de todo mundo, dava curso e dava fundo a buques de vigilância

  • Romance de João Guará

    Apparício Silva Rillo

    (À sua memória) Sempre que paro rodeio no meu baú de memórias, de lá reponto a história

  • Romance de Pena Larga

    Apparício Silva Rillo

    A uns diz que foi o noivo, a outros, que o primo foi. Mas fosse o primo ou o noivo, fosse o destino ou a vida

  • Romance de Volta-e-Meia

    Apparício Silva Rillo

    Botei um culo-clavado num tiro mui chamboneado de pouca volta e mau rumo. Cambeio a tava por outro.

  • Romance do Arrendador

    Apparício Silva Rillo

    Vendeu os gados e arrendou os campos. Reservou-se apenas, as casas da Estância,