Alma em Verso
Acervo

Poesias de Apparício Silva Rillo

120 poesias

  • Cova de Touro

    Apparício Silva Rillo

    "Cova de Touro" me chamam e o porquê não me interessa. Quem por frente me atravessa se plancha, roda ou tropeça

  • Cuia

    Apparício Silva Rillo

    Cuia morena queimada confeccionada a lo bruto, rude cálice matuto de amarguentas comunhões;

  • Cusco Cego

    Apparício Silva Rillo

    Este cusco brasino, cara branca, pequenote e rabão, que o parceiro está vendo enrodilhado aí perto do fogão,

  • Da Ponta do Mato

    Apparício Silva Rillo

    Irmão do asfalto, do salto, do assalto, nos ranchos no alto e dos olhos no chão, esquece o imediato, vem ver este mato, beber deste rio - um crioulo Jordão.

  • De Potros y Tropillas

    Apparício Silva Rillo

    En el más íntimo, más hondo de nosotros, una tropilla de potros galopea. Una tropilla de potros nos golpea...

  • Desafio

    Apparício Silva Rillo

    Há um potro dentro de mim, pedindo cancha. Sinto-lhe o bater do coração inquieto como um tambor a rufar em véspera de peleia braba.

  • Desengano

    Apparício Silva Rillo

    Ah, china maula! No dia em que te trouxe pro meu rancho engarupada na anca do picaço,

  • Despetalada

    Apparício Silva Rillo

    - Tem quarto, dona Isolina? - A Rosa! Mas quem diria! - É pra ver, dona Isolina... - Então, voltou a ser china?

  • Devaneio

    Apparício Silva Rillo

    Chininha reponta um sonho na lonjura ensimesmada de mais um domingo igual.

  • Do Tempo e da Mulher

    Apparício Silva Rillo

    Abro o peito, mas no entanto não sei se o canto garanto como meu tema requer. É preciso

  • Do Ter e do Não Ter

    Apparício Silva Rillo

    Tenho uma ponta de gados - touro, bois, vacas, terneiros. Uma tropilha de baios — um dos baios, estreleiro.

  • Entardecer

    Apparício Silva Rillo

    Aponta uma carreta na distância rincha que rincha no silêncio grande que reponta ao passito, Para o pouso da noite,

  • Faz de Conta

    Apparício Silva Rillo

    "Faz de conta, mulher, que o pão de forno é daqueles leitão que nós criava no rancho de posteiro que deixemo quando a estância do patrão foi-se a la cria

  • Fio de Bigode

    Apparício Silva Rillo

    - "Quinze quadras de campo, meu compadre!" - "São minhas, meu compadre, aperte a mão!" Contratos pura consciência timbrados de coração.

  • Fogo Morto

    Apparício Silva Rillo

    A noite nasceu agora do ventre deste luar e eu morri no fogo-morto que foi luz em teu olhar.

  • Gaita

    Apparício Silva Rillo

    Velha gaita fiel de duas falas, intérprete crioula de emoções, que chora na rudeza dos galpões e ri de gosto no esplendor das almas!

  • Galpão

    Apparício Silva Rillo

    Meu tosco galpão de estância erguido sem aparato, aqui no mais te retrato sem te pedir permissão;

  • Gaúcho Velho

    Apparício Silva Rillo

    Gaúcho velho que foste menino nos entreveros de noventa e três! Brigaste a vida toda com o destino e o destino apanhou mais de uma vez!

  • Gaudério

    Apparício Silva Rillo

    Homem não é como pasto que nasce de uma semente. Eu tive mãe, certamente, e um pai eu tive também.

  • Guaxo

    Apparício Silva Rillo

    Este oveirinho magrela que lá vai no rumo do galpão, não teve mãe que lhe lambesse o pêlo, foi criado mamão.