Alma em Verso
Festivais

Bivaque da Poesia Gaúcha

9 edições · 72 poesias

9º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • A Cruz de Cedro

    Rodrigo Bauer

    Talvez tenha sido morto na Guerra do Paraguai... Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai... Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão e a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!

  • A Dor

    Cláudio Silveira e Cristiano Ferreira Pereira

    Dor... Que é sofrimento... ... das feridas; tormento, aflição

  • Corrida de Lebre

    Lauro Antônio Corrêa Simões

    O rincho em tom de clarim. Nesse tom característico Dos baguais que se iniciam Em seus primeiros galopes.

  • Do Outro Lado do Rádio

    Vinícius Antônio Machado Nardi

    Muito embora não tenha água, nem praia e tão pouco maré, tem alma de campo e estrada - o que deixa sempre o ouvido em pé-.

  • Horizontes Largos

    Rodrigo Canani Medeiros

    Habita meu horizonte uma alma sorridente e um jeito calmo de ser que evoque a sabedoria

  • O corvo

    Luís Lopes de Souza

    Asas negras preenchiam o esboço vazio da tarde... Misterioso e repudiado

  • Ode às Mãos do Bem

    Vaine Darde

    Não, não invejo os pássaros... Pois só tem asas quem não tem mãos. E foi pela vocação das mãos Que construímos caravelas,

  • Palanque

    Cristiano Ferreira Pereira

    Palanque!... A fibra e o viço da madeira... Contendo a força bruta Que lhe tironeia.

  • Por Esta Luz

    Guido Moraes

    Tanto berrou, sapateou, implorou e afinal chorou que Fabiano ficou de rédeas no chão... Estranhando a demora da lenha,

10º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • A Última Dança

    Carlos Omar Villela Gomes

    Chegou num tranco seguro De dono, líder, patrão... Fazendo contrapartida Ao tranco do coração.

  • CASMURRO

    Luís Lopes de Souza

    Hoje a inquietude me perturba numa ressaca de incertezas e medo... - São meus ranços de casmurro certamente!

  • Meu Verso

    Mateus Lampert

    Quando eu cheguei nesse mundo Ele já era mundo... já era pampa! Eu, mais um habitante... quis entender o sentido.

  • Negro Destino

    Jorge Claudemir Soares

    Nasci rei na minha querência, e fui dono do meu chão; Andei livre como o vento já fui pai, já fui irmão.

  • Numa de Canha

    Zeca Alves

    Seu mundo findou inteiro No interior de uma “botella”... Por melhor que um trago seja Não se deve o exagero...

  • SEMENTE DE VIDA

    Jurema Chaves

    Numa manhã de setembro Um par de olhos tristonhos Emoldurou-se à janela Parecendo um quadro antigo.

  • Sete bravos - um destino

    Moisés Silveira de Menezes

    Barba escura chapéu negro O lenço de um rubro forte Sobrepairando na gola Do poncho azul de baeta

  • Simplesmente... Gaúcho

    Cristiano Ferreira Pereira

    Mal fresteias um vistaço a tua volta, nesse ranchito humilde que te acolheu no mundo, para buscar saber onde estás

  • Sou

    Adriano Silva Alves

    Sou... Ainda sou; Irmão do chão, onde piso, Filho da terra, onde estou.

Campo Bom, RS

12º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • O Vinho Tinto da Dor

    Joseti Gomes

    A dor que escondo do mundo não se esconde de mim... Amanhece nas janelas e invade a casa em que habito

  • QUANDO UM VERSO CORCOVEIA

    Ari Pinheiro

    Quando um verso corcoveia Na goela de um payador Em mais um canto de flor Para o pago renascer

Campo Bom, RS

13º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • Memorial de Quatro Braços

    José Oliveira Estivalet

    Sol da tarde incandescente, Braça e pico pra se pôr... Um quero-quero abre o peito Num alarido estridente,

14º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • Êxodo

    Rafael Machado

    Talvez quem ouça não creia mas aquele caserio plantado beirando o rio, sujo por conta das cheias,

  • O Adeus ao Velho Poeta

    Luís Lopes de Souza

    As musas, chegam silentes... No adeus vago e remoto brilham auras derradeiras de santas de um só devoto...

  • O Tempo é Outro

    Lisandro Amaral

    No branco pano do tempo pergunto ao frio do poema: que vim fazer nestes campos?

  • Pelos Sonetos da Guerra

    José Luiz Flores Moró

    Quando a primeira vez que fui à guerra, Perseguia meus instintos de guerreiro... De lança em punho... Como quem não erra...

  • Relato da Nazarena

    Matheus Costa

    Tenho a pressa pela sina E o respeito aquerenciado Com a gêmea do meu corpo Talareando no outro lado,

  • Se me Ataco das Veneta

    Vaine Darde

    Eu declinei da ternura porque de tanto que luto o meu canto ficou bruto de verso e de partitura

  • Um Violão Abandonado

    Carlos Omar Villela Gomes

    A noite beijou meu rosto com ar de mãe carinhosa, Desenredou sua prosa entre sussurros perdidos;

15º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • A Janela do Nada

    Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam

    A janela do nada não mostrava nada, Numa falta de tristeza e alegria sem igual. Debruçado sobre o tempo, transparência emoldurada... De um nada sobre o outro, fui erguendo o meu quintal.

  • A Negra Poesia

    Caine Teixeira Garcia

    Ela sonhava em ser poesia... E nunca soube ser mansidão! Te aquieta! - a realidade dizia – Pois ninguém vive de ilusão!

  • A Saga das Carretas

    José Luiz Flores Moró

    No princípio... Foram patas de cavalos Que cortaram trilhas pelos campos virgens Transportando rumos e ombreando origens,

  • As Nossas Encruzilhadas

    Sérgio Sodré Pereira

    Eu desconheço os motivos pelos quais mereci o regalo de, um dia, o teu cavalo encostar no meu de lida;

  • Caudilhos

    Rodrigo Canani Medeiros

    Roncava o primeiro mate na Fazenda do Retiro, o Coronel Juca Trindade razonava c'oa boieira

  • De Soslaio

    Cristiano Ferreira Pereira

    De soslaio!... Muitas vezes o pampa me olhou assim: negaceando estribo pra um bater de cascos na direção da vida que plantei pra mim.

  • Recuerdos de Uma Cruz de Campo

    Anderson Fonseca

    É de pau-ferro o monumento campechano... ...talhado por mãos de rude artista; Cuja sombra imponente, se alonga

  • Silêncio

    Henrique Fernandes

    A prudência do silêncio guarda o valor da palavra... ...palavra- trança redonda que dá mais fina lonca

  • Telúrico

    Cândido Brasil

    O pó do barro da terra é a origem de onde vim, sou matéria que encerra princípio, meio e fim,

  • Tudo Vale a Pena

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Se todas as penas Fossem apenas pena de quem tem piedade... Se todas as penas

16º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • A Casa Primeira

    Kayke Mello

    A casa primeira era simples de estrutura, De paredes antigas pintadas de história. As portuguesas sustentavam a cobertura. Por ser a primeira, eu a trago na memória.

  • Herdeiros

    Athos Ronaldo Miralha da Cunha

    Cinco séculos de história, De garra trabalho e dor, É o povo trabalhador, Na saga desta trajetória,

  • Linha Mariano Pinto

    Maximiliano Alves de Moraes

    Sou do tempo em que ir ao povo Se levava dois, três dias. Quem ia aqui do Angico, Sesteava no Velho Nico

  • O Outro Eu

    Rodrigo Bauer

    I Existe um outro eu, que me observa, oculto, em minhas sombras mais remotas... Por vezes, ele leva as minha botas,

  • Saudade Não Cicatriza

    Mateus Neves da Fontoura

    A lembrança arranca a casca Da epiderme do tempo E a carne do sentimento Sangra de novo... e de

  • Velhas Crianças

    Adão Quevedo

    Há um rangido enferrujado na dobradiça da porta e uma lembrança, quase morta, vem de longe, num costado.

17º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • A Dona da Doma

    Silvio Aymone Genro

    Aquela, Não era a primeira vez Que ele domava cavalos Lá na Estância da Caleira...

  • De Barro Moldei Meu Verso

    Marcelo d’Ávila

    De barro moldei meu verso: Do mesmo barro pisado Pelos caminhos das tropas, Sovado de pata e casco

  • O Espírito Incessante Que Há Na Alma Dos Poetas

    Matheus Costa

    O espírito incessante que há na alma dos poetas… ...voa livre nos caminhos, pelos rumos que escolheu. É testemunha confesso dos resquícios da saudade... ...pois, sem ela, é só metade diante à tudo que viveu.

  • O Porquê Dos Meus Silêncios

    Mateus Neves da Fontoura

    Na verdade ninguém soube O porquê dos meus silêncios... Têm coisas que a gente sente E que simplesmente não conta.

  • Pra Sepultar Uma Alma

    Alcindo Neckel

    A alma se eterniza além do corpo da gente!... Feridas de tresontonte o mate não cicatriza!...

  • Recomeço de um Ginete

    Loresoni Barbosa

    Um par de esporas e um manguito debochado, Um santo sob o sombreiro - por vezes mui preocupado – De prata a rastra oriental reluz no seu tirador, E dois cavalos de muda garantem o estradeador.

  • Romance da Quero-Mana

    Maximiliano Alves de Moraes

    Prestativo igual a ele Não havia outro! Sempre pronto pra quarteadas: Rodeio, alambre, tropedas,

  • Todo um Conjunto de Mortes

    Guilherme Collares

    E se sabia que o “Anjo” não ia durar pra sempre... Como a árvore sem frutos que vergou sobre si mesma

  • Um olhar Antigo

    Jurema Chaves e Negro Jaru

    E o sentimento que escreve, palavras tortas no más... Palavras bem lá de trás, um tempo de cosas buenas De madrugadas serenas em que as cambonas chiavam E os galos inda acordavam,melodias pelas casas,

  • Uma Corrente Chora

    Bianca Bergmam e Carlos Omar Villela Gomes

    Uma corrente chora a dor de seus fantasmas, Na dor da morte, a eternidade a lhe assombrar; Aprisionada por si mesma ela soluça Prantos ocultos pelos uivos do lugar.

19º Bivaque da Poesia Gaúcha

  • Aquelas Mãos

    Guilherme Collares

    Feito a raiz que estende ramos, As mãos, nervuradas e duras, Cortadas por veias azuis, Corriam como rios

  • Carta Aberta à uma Cordeona

    Henrique Fernandes

    "Cordeonita" bem querer De saudosa ressonância, Guarda ecos das distâncias Com feição de alma antiga.

  • Meu Verso Judiado

    Caine Teixeira Garcia

    Vai bem judiado o meu verso Já quase vencido, estropiado... Quem sabe, cansado da lida E de camperear com o gado.

  • ROMANCE DO TRANÇADOR: Mário Amaral

    Mário Amaral

    Com os dedos firmes no cabo da faca Pra tecer as cordas no ritual campeiro O punho certeiro vai lonqueando tentos Em dias de chuva ao calor do braseiro

  • Stradivarius

    Bianca Bergmam

    Eu não sou velho! Bravejei aos berros, enquanto o corpo me gritava: - “”É”!

  • Tropeiro das Águas

    Edson Marcelo Spode

    Dom Hilário, firmou a mirada Pro lado que a chuva encilha Balseiro de oficio e cartilha Bombeando as barras do poente