A Cruz de Cedro
Rodrigo Bauer
Talvez tenha sido morto na Guerra do Paraguai... Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai... Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão e a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!
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Rodrigo Bauer
Talvez tenha sido morto na Guerra do Paraguai... Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai... Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão e a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!
Cláudio Silveira e Cristiano Ferreira Pereira
Dor... Que é sofrimento... ... das feridas; tormento, aflição
Lauro Antônio Corrêa Simões
O rincho em tom de clarim. Nesse tom característico Dos baguais que se iniciam Em seus primeiros galopes.
Vinícius Antônio Machado Nardi
Muito embora não tenha água, nem praia e tão pouco maré, tem alma de campo e estrada - o que deixa sempre o ouvido em pé-.
Rodrigo Canani Medeiros
Habita meu horizonte uma alma sorridente e um jeito calmo de ser que evoque a sabedoria
Luís Lopes de Souza
Asas negras preenchiam o esboço vazio da tarde... Misterioso e repudiado
Vaine Darde
Não, não invejo os pássaros... Pois só tem asas quem não tem mãos. E foi pela vocação das mãos Que construímos caravelas,
Cristiano Ferreira Pereira
Palanque!... A fibra e o viço da madeira... Contendo a força bruta Que lhe tironeia.
Guido Moraes
Tanto berrou, sapateou, implorou e afinal chorou que Fabiano ficou de rédeas no chão... Estranhando a demora da lenha,
Jorge Luiz da Rosa Chaves
Por que choram inocentes... Se o mundo evoluiu? ...Se o pingo espera encilhado
Carlos Omar Villela Gomes
Chegou num tranco seguro De dono, líder, patrão... Fazendo contrapartida Ao tranco do coração.
Luís Lopes de Souza
Hoje a inquietude me perturba numa ressaca de incertezas e medo... - São meus ranços de casmurro certamente!
Mateus Lampert
Quando eu cheguei nesse mundo Ele já era mundo... já era pampa! Eu, mais um habitante... quis entender o sentido.
Jorge Claudemir Soares
Nasci rei na minha querência, e fui dono do meu chão; Andei livre como o vento já fui pai, já fui irmão.
Zeca Alves
Seu mundo findou inteiro No interior de uma “botella”... Por melhor que um trago seja Não se deve o exagero...
Rodrigo Bauer
I Viajante! Por mais que me despeça e lote a mala,
Jurema Chaves
Numa manhã de setembro Um par de olhos tristonhos Emoldurou-se à janela Parecendo um quadro antigo.
Moisés Silveira de Menezes
Barba escura chapéu negro O lenço de um rubro forte Sobrepairando na gola Do poncho azul de baeta
Cristiano Ferreira Pereira
Mal fresteias um vistaço a tua volta, nesse ranchito humilde que te acolheu no mundo, para buscar saber onde estás
Adriano Silva Alves
Sou... Ainda sou; Irmão do chão, onde piso, Filho da terra, onde estou.
Joseti Gomes
A dor que escondo do mundo não se esconde de mim... Amanhece nas janelas e invade a casa em que habito
Ari Pinheiro
Quando um verso corcoveia Na goela de um payador Em mais um canto de flor Para o pago renascer
José Oliveira Estivalet
Sol da tarde incandescente, Braça e pico pra se pôr... Um quero-quero abre o peito Num alarido estridente,
Xirú Antunes
A água azul da cacimba, subiu a estrada da sanga, Matando a sede da estância, Cantando um canto molhado,
Sebastião Teixeira Corrêa
Olhei o terreiro grande, onde outrora o galo índio Exibia sua prole nas manhãs de primavera;
Rafael Machado
Talvez quem ouça não creia mas aquele caserio plantado beirando o rio, sujo por conta das cheias,
Luís Lopes de Souza
As musas, chegam silentes... No adeus vago e remoto brilham auras derradeiras de santas de um só devoto...
Lisandro Amaral
No branco pano do tempo pergunto ao frio do poema: que vim fazer nestes campos?
Silvio Aymone Genro
Do avô, eu lembro a estampa, Com seu lenço maragato... Da avó, o sorriso terno, No silêncio dos retratos.
José Luiz Flores Moró
Quando a primeira vez que fui à guerra, Perseguia meus instintos de guerreiro... De lança em punho... Como quem não erra...
Matheus Costa
Tenho a pressa pela sina E o respeito aquerenciado Com a gêmea do meu corpo Talareando no outro lado,
Vaine Darde
Eu declinei da ternura porque de tanto que luto o meu canto ficou bruto de verso e de partitura
Carlos Omar Villela Gomes
A noite beijou meu rosto com ar de mãe carinhosa, Desenredou sua prosa entre sussurros perdidos;
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
A janela do nada não mostrava nada, Numa falta de tristeza e alegria sem igual. Debruçado sobre o tempo, transparência emoldurada... De um nada sobre o outro, fui erguendo o meu quintal.
Caine Teixeira Garcia
Ela sonhava em ser poesia... E nunca soube ser mansidão! Te aquieta! - a realidade dizia – Pois ninguém vive de ilusão!
José Luiz Flores Moró
No princípio... Foram patas de cavalos Que cortaram trilhas pelos campos virgens Transportando rumos e ombreando origens,
Sérgio Sodré Pereira
Eu desconheço os motivos pelos quais mereci o regalo de, um dia, o teu cavalo encostar no meu de lida;
Rodrigo Canani Medeiros
Roncava o primeiro mate na Fazenda do Retiro, o Coronel Juca Trindade razonava c'oa boieira
Cristiano Ferreira Pereira
De soslaio!... Muitas vezes o pampa me olhou assim: negaceando estribo pra um bater de cascos na direção da vida que plantei pra mim.
Anderson Fonseca
É de pau-ferro o monumento campechano... ...talhado por mãos de rude artista; Cuja sombra imponente, se alonga
Henrique Fernandes
A prudência do silêncio guarda o valor da palavra... ...palavra- trança redonda que dá mais fina lonca
Cândido Brasil
O pó do barro da terra é a origem de onde vim, sou matéria que encerra princípio, meio e fim,
Sebastião Teixeira Corrêa
Se todas as penas Fossem apenas pena de quem tem piedade... Se todas as penas
Kayke Mello
A casa primeira era simples de estrutura, De paredes antigas pintadas de história. As portuguesas sustentavam a cobertura. Por ser a primeira, eu a trago na memória.
Xirú Antunes
Pelos galpões da Querência vi homens rondando agostos com olhares de setembro, adivinhavam seus medos
Guilherme Collares
Como um rancho abandonado, desprovido da energia vital que o ampara e acalenta, e que se debruça sobre si
Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Cinco séculos de história, De garra trabalho e dor, É o povo trabalhador, Na saga desta trajetória,
Maximiliano Alves de Moraes
Sou do tempo em que ir ao povo Se levava dois, três dias. Quem ia aqui do Angico, Sesteava no Velho Nico
Rodrigo Bauer
I Existe um outro eu, que me observa, oculto, em minhas sombras mais remotas... Por vezes, ele leva as minha botas,
Henrique Fernandes
Quando apeia a primavera pintando cores nas ladeiras, perfumando os corredores e aguçando o cio das potras...
Mateus Neves da Fontoura
A lembrança arranca a casca Da epiderme do tempo E a carne do sentimento Sangra de novo... e de
Adão Quevedo
Há um rangido enferrujado na dobradiça da porta e uma lembrança, quase morta, vem de longe, num costado.
Silvio Aymone Genro
Aquela, Não era a primeira vez Que ele domava cavalos Lá na Estância da Caleira...
Marcelo d’Ávila
De barro moldei meu verso: Do mesmo barro pisado Pelos caminhos das tropas, Sovado de pata e casco
Matheus Costa
O espírito incessante que há na alma dos poetas… ...voa livre nos caminhos, pelos rumos que escolheu. É testemunha confesso dos resquícios da saudade... ...pois, sem ela, é só metade diante à tudo que viveu.
Mateus Neves da Fontoura
Na verdade ninguém soube O porquê dos meus silêncios... Têm coisas que a gente sente E que simplesmente não conta.
Alcindo Neckel
A alma se eterniza além do corpo da gente!... Feridas de tresontonte o mate não cicatriza!...
Loresoni Barbosa
Um par de esporas e um manguito debochado, Um santo sob o sombreiro - por vezes mui preocupado – De prata a rastra oriental reluz no seu tirador, E dois cavalos de muda garantem o estradeador.
Maximiliano Alves de Moraes
Prestativo igual a ele Não havia outro! Sempre pronto pra quarteadas: Rodeio, alambre, tropedas,
Guilherme Collares
E se sabia que o “Anjo” não ia durar pra sempre... Como a árvore sem frutos que vergou sobre si mesma
Jurema Chaves e Negro Jaru
E o sentimento que escreve, palavras tortas no más... Palavras bem lá de trás, um tempo de cosas buenas De madrugadas serenas em que as cambonas chiavam E os galos inda acordavam,melodias pelas casas,
Bianca Bergmam e Carlos Omar Villela Gomes
Uma corrente chora a dor de seus fantasmas, Na dor da morte, a eternidade a lhe assombrar; Aprisionada por si mesma ela soluça Prantos ocultos pelos uivos do lugar.
Guilherme Collares
Feito a raiz que estende ramos, As mãos, nervuradas e duras, Cortadas por veias azuis, Corriam como rios
Henrique Fernandes
"Cordeonita" bem querer De saudosa ressonância, Guarda ecos das distâncias Com feição de alma antiga.
Juliano Javoski
Eu te sou grato, minha pequena constelação, formada de ferro e couro, suspensa sob o céu do galpão,
Djalma Corrêa Pacheco
Te peço desculpas, Por quase uma vida inteira De pouco afeto ofertado. Pelo mutismo exacerbado
Matheus Costa
Depois que o tino das mãos destina rédeas às casas, e o sol que veste o rincão vai morrendo em mornas brasas,
Xirú Antunes
Eu não te vejo tapera, No meu olhar de interior Aceso em cada lembrança, Que moldou meu jeito manso,
Caine Teixeira Garcia
Vai bem judiado o meu verso Já quase vencido, estropiado... Quem sabe, cansado da lida E de camperear com o gado.
Mário Amaral
Com os dedos firmes no cabo da faca Pra tecer as cordas no ritual campeiro O punho certeiro vai lonqueando tentos Em dias de chuva ao calor do braseiro
Bianca Bergmam
Eu não sou velho! Bravejei aos berros, enquanto o corpo me gritava: - “”É”!
Edson Marcelo Spode
Dom Hilário, firmou a mirada Pro lado que a chuva encilha Balseiro de oficio e cartilha Bombeando as barras do poente