Por Esta Luz
Tanto berrou, sapateou, implorou e afinal chorou que Fabiano ficou de rédeas no chão... Estranhando a demora da lenha, pela janela do oitão entreviu Chiquinho sentado no picador, soluçando de fazer lama... - Ligeiro, guri, que tua mala de garupa já tá pronta! Só falta emalá o ponchinho... Descrente e ansioso, guri, graveta e lenha, mais o cachorro Bilu invadira rancho e alma do Posteiro.
Na jantinha arroz-com-couve e um feijãozito com charque, Fabiano sentenciou:
“Tropear neste janeiro ardente não é comer biscoito com apojo... São trezentos bois de vário pêlo e várias cruzas, cruzando gados e campos alheios. Precisa tino e traquejo, destreza e firmeza nos arreios. Água e lenha no fogão é serviço pra esse peão...” - rematou apontando seu Chiquinho.
Cinco dias de cansaço e poeira. Seis noites sob o céu que era uma joeira. -Hoje a ronda é contigo, guri bueno! -Varo a noite de olho aceso, Tio Pedroso! -Eta guri tigre! Gente brava..!
Fabiano sorria para dentro, orgulhoso, sabendo que o guri não se escalava.
Mas... na última porteira, a tronqueira encimada lindamente pelo ninho-berçário da forneira. O casalzinho barroso deu rasantes, gritando, azucrinando, protestando, quase furando a orelha do intruso... (Deixa estar – grunhiu Chiquito – na volta vou calar esse gritedo...) Entregue o gado, voltavam satisfeitos, dever cumprido, a plata na guiaca, já repartida pelo capataz de tropa. Bem antes da porteira dos barreiros, Chiquito esporeou a rosilho e esperou, compondo arreios e redemoinhando, que passassem todos os tropeiros... Desaparecendo estes no lançante, de pé nos estribos, pra crescer, enfiou o cabo do relho com fiel e tudo na fresta do ranchinho topetudo e puft..! Prole, penas, musquinhos, lama dura, amontoaram- se em estranha sepultura...
“FARTO E VARIADO MUNÍCIO NO BOLICHO DO APPARÍCIO!” gritaram , chegando à pulperia... Branquinha correndo farta, gasosa para o Chiquito conforme a reza da mãe: “Ave, Maria cheia de graça, guri pequeno não toma cachaça!”
Mala cheia, além do trivial: salame, sardinha, rapadura, caramelos pro menino, um fumo de Sobradinha e caninha daquela pura...
Repechando para o Posto, vendo as plantas, Só o umbu.... e as laranjeiras... esporeou.....galopeou... (E A FUMAÇA QUE UM PASSANTE VIU NO RANCHO?) Só a pereiras....e as figueiras.... SÓ??? ...E AS CINZAS.... E o fogão torrado e a cama velha da finada retorcida...Chiquiiiiito!
Antes do sono inconciliável, sob o umbu, perguntou por perguntar: - Tu não buliu com o ninho dos bichinhos? Na porteira aquela? - POR ESTA LUZ, PAI!
Fabiano, tirando o chapéu dos olhos, não viu Lua....nem Estrela...ou Vagalume.