Coruja de Campo
Jayme Caetano Braun
China esquisita do campo Eternamente tristonha, Nessa cantiga medonha Que apavora as noites largas,
135 poesias
Jayme Caetano Braun
China esquisita do campo Eternamente tristonha, Nessa cantiga medonha Que apavora as noites largas,
Jayme Caetano Braun
Meio assim como uma queixa Que a lo largo foi deixada, De algum combate extraviada Na imensidão da planura,
Jayme Caetano Braun
A cuia de chimarrão, sempre em constante rodeio, a mim me parece o seio, da china que a gente adora,
Jayme Caetano Braun
Entre os amigos que tenho, Irmãos da lida campeira, Há um cusco baio cólera Que vai junto, quando saio.
Jayme Caetano Braun
Mãe bugra missioneira É a história que me pariu Na barranca desse rio Numa taba de fronteira
Jayme Caetano Braun
Mataram meus infinitos E me expulsaram dos campos; Da terra nasceram gritos, Dos gritos brotaram cantos!
Jayme Caetano Braun
Qual um pagé missioneiro Dos Sete Povos- me ajoelho, Marcando no chão vermelho Meu brasão de feiticeiro,
Jayme Caetano Braun
AMA TEU DEUS - Promotor e vê, no teu semelhante, mesmo no mais degradante, a imagem do CRIADOR!
Jayme Caetano Braun
...vou tentiando o chimarrão da madrugada clareando, enquanto escuto, estralando, o Velho brasedo vivo,
Jayme Caetano Braun
Um o Rio Grande indomado De melenas pelos ombros Que tirou curso nos lombos Dos baguais- no descampado.
Jayme Caetano Braun
Um Dom Quixote, Um Martin Fierro, Um mito, O tapejara dos caminhos grandes,
Jayme Caetano Braun
Um era taura e se perdeu por taura, outro era maula e se perdeu por maula, quebras demais para viver em jaula, com muita raça pra esconder a cara.
Jayme Caetano Braun
...a cuia de chimarrão tem sempre o mesmo perfil, no guarda chão do Brasil, onde mateio contrito,
Jayme Caetano Braun
Virava de meio dia, tempo quente de mormaço. Quando pegava meu braço era o Nogueira Leria,
Jayme Caetano Braun
Eu penso enquanto mateio, e mateando a gente pensa, será que morreu a crença da indiada do pastoreio,
Jayme Caetano Braun
Avô paterno, o lavrador colono, no mundo novo, perseguindo anseios;
Jayme Caetano Braun
Cabo de madeira branca E a folha de palmo e meio, Esta faca que palmeio, Sovando uma palha "buena",
Jayme Caetano Braun
No horizonte enfarruscado, Onde uma barra levanta O tempo abriu a garganta E o silêncio de morte
Jayme Caetano Braun
Candieiro chucro incendiado Sobre os altares do campo Teu vulto de pirilampo Que na velha noite pisca
Jayme Caetano Braun
...O grito de exaltação de passado e de presente, na invocação permanente do homem que se preocupa
Jayme Caetano Braun
Te abre - cordeona machaça, me deixa ver o teu miolo, e canta as glórias da raça no teu compasso crioulo!
Jayme Caetano Braun
Valente galo de rinha, guasca vestido de penas! Quando arrastas as chilenas No tambor de um rinhedeiro,
Jayme Caetano Braun
Galpão velho chamuscado No fogão de gerações Onde as velhas tradições Desentonadas e ariscas
Jayme Caetano Braun
sala grande, chão batido onde passei minha infância querido galpão de estância que foste um dia meu lar,