Sombra copada
Busquei na sombra copada que existe no olhar dos meus, um pouso para a jornada que por diante se estendeu; Esquivei sóis, de cruzada... ...dos que a tarde ofereceu.
Cinamomo de tapera que é solito mas acolhe anseios de alguma espera, e o medo que nos recolhe... Ou pra que a chuva severa da descrença não nos molhe.
Igual a poncho de lã cardado para o rigor existe a sombra mais sã na copa grande do amor... ...Guarida pra’o amanhã e aos longes que alguém se for.
Busquei na sombra copada que existe na luz da prece, um alento à caminhada daquele que reconhece que a alma suporta a estrada se acaso o corpo esmorece.
E os outonos demorados com passagens doloridas, nos deixam marcas, recados, nas folhas que são varridas... Como fossem um passado despido das nossas vidas.
Restam galhos – cerne duro – pra sustentar a razão de compreender este apuro constante da solidão. ...Resilientes e tão puros silêncios de brotação...
Ramada dos meus caminhos em trejeito familiar, sombra terna – sem espinhos – templo aberto para estar nas vezes de ser sozinho... ...procurando onde parar.
Figueira de raíz firme plantada em colo de avó... Sombra paciente e sublime tingida de idade e pó... ...mas que protege, e imprime salvação pra velhos nós.
Umbú de tanta lembrança com casca de avô campeiro... Sombra do rastro criança que deixamos por primeiro e o presente não alcança por teimar sumir ligeiro.
Coronilha que tem pua pra livrar toques estranhos... Florida em “madre xirua”, abraça e não deixa lanhos num filho, que é parte sua... ...Sombra sem fim, nem tamanho!...
Espinilho em campo feio curtido de judiação... Sombra sem qualquer floreio, humildade presa ao chão... Pai, firme, prezando o seio maior, da fraterna união.
Eu conservo este reduto tão ímpar e elementar... ...sombra que matura frutos pra fome de quem buscar por remanso absoluto, sem pressa de continuar.
Distintas sombras amigas reencontro no sem fim... As conheço por antigas... ...e as procuro, pois assim, socorrem, quando castiga o mormaço que arde em mim.