As Queixas do Laço Atado
Balbuciou o laço atado seus queixumes e lamentos enquanto preso nos tentos d'um cristão enforquilhado. Sacudindo a contragosto, é um caseiro sem ter posto... ...quase um peão desajustado. Mas sabe, o laço nos tentos que é serviçal, tem ofício... ...e, vez por outra, tem vícios de rasgar a tez dos ventos. Voando no campo afora, parece encurtar demoras maiores que seu contento. Com rodilhas de saudade dos galpões, da calmaria, vai compondo a melodia sem a rima da vaidade. Por ser simples e genuíno, é um crioulo peregrino na presilha da humildade. Enciumado das esporas e do choro das basteiras, que cantam - a suas maneiras - sempre que o silêncio implora... ...o laço é uma voz aflita que, conversa, mas não grita... ...que se queixa, mas não chora. E quando cincha - espichado - matreiros pelo rincão, é um baraço para a união dos pedaços extraviados que pertencem às canhadas, potreiros ou invernadas, pelos rodeios parados. Chega cochilar num tranco de volta às casas, que o pingo é um pincel vivo tingindo as estraditas em branco... E o laço benze os açoites com as palavras que a noite recita, em seu tom mais franco. E os cambichos que carrega (com tirões que nem aguenta) são passagens espinhentas que, por sofrido, renega... Um, deles, vive com a argola... ...e se nada lhe consola, vem de arrasto nas macegas. Com sede de ser liberto, bebe o sereno vertido nos invernos estendidos que ele conhece de perto. E nos verões, com paciência, se banha em suor de querência pelos longes mais desertos! Estranha n'alguma volta que fica à toa nas garras, caso lhe atem por farra pro olhar da china que nota. Então, se aquieta, enfeitado na encilha do 'enamorado' que, nem por reza, lhe solta! Balbuciou o laço atado, segredos para os arreios... ...e deixou mágoas, anseios, pra quando se ver cimbrado...