Romance do Amadeus Louco
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- Retrato o gaudério nesta estrofe que diz assim:
Gaudério é vertente humana Serpenteando pelo chão Que de rincão em rincão, Vai buscando novo alento; Inconstante como vento Num upa - mudando rumo, - Sol nascente - sol à prumo... Só estrada no pensamento! .................................................... Alariava a cachorrada Quando chegava o gaudério!!
Pó no lombo - remangado, Barba crescida e a mochila, Dependurada no braço... Mais parecia um fantasma Pela estrada da Querência!!
Entre gritos pros cachorros, Oh! De casas pro patrão, Puxava de uma risada Guspindo grosso no chão.
Se era louco - se era certo, Talvez nem ele sabia... Mas uma coisa era certa: (Tinha horizontes na alma)!??
Contavam que dantes - fora Dono de campo - morada, E até agarrou família. Mas por nunca ter parada, A rapariga mandou-se Na garupa de um estranho!
Desd’aí, o Amadeus Louco, Já bastante desnorteado, Largou-se mundão a fora!
Nem um Zaino - bom de arreio Nem mesmo um burro ruano... Agüentaram o louco tranco!
E então foi que resolveu... Andar enfim - apezito!
Quando chegava na estância, Numa algazarra tamanha Todos rodeavam o gaudério...
E ele - falando sério Lembrava miles façanhas Por donde houvera passado... Depois... a baita risada... Cortava voltas de ar!!
Era criança - cachorro, Gente grande, tudo em volta Curiosos pelas notícias Que o velho Amadeus trazia.
“Contava - gesticulava... Dava risada guspia”!
O mundo grande - infinito... Pequeno lhe parecia!!
“ - A china do Zeca Perez deu cria um bruto dum home”
“- O filho do Doca Neto, Tomou um tiro na bexiga”
“- A Candinha do Juvino, Já casou meia-barriga!”
“-Coitada da Dona Bina... Se topou com o Lobisome!!”
Era um jornal de memórias Relatando acontecidos Nos redores da Querência!
Um gol de mate - uma pausa De novo a baita risada Se espreguiçando no ar!
Mas nunca aquentava banco Um pouso...dois...já se ia... A estrada que desse o rumo!!
Havia até uma tristura Quando o louco se bandeava; Parece até que ficava O eco de uma risada No rastro de quem se foi!
Faz anos - correu notícia Que tinha juntado os cascos Ao passar numa pinguela...
Sobre a flor do redemunho, Só veio à riba a mochila!
Contaram depois mais tarde Que muito abaixo - no arroio, Aparecera a ossadura... No mesmo molde e altura Do corpo do andarengo!
Pura pêta... vá assuntando:
Foi janeiro - Sol quente, Já virando o meio-dia, A estância na calmaria Abrigava sesteadores Debaixo dos cinamomos...
Batia um ventinho morno, Trazendo paz...pro cochilo!!
Foi aí que uma risada Como um clarim de alvorada, Retundou pelo silêncio!
Ah!...menino...uma risada, Um susto - e toda a peonada Desenhando a cruz no peito Num gesto até de respeito À quem se foi...mas voltou!
E o louco - já sabedor Da notícia que correra, Parou de rir - ficou sério -Se transformando em mistérios, Puxou dum cepo - e contou:
- Andei lá - no pago eterno... me trafuncaram no inferno no meio do fogaréu então - tapiei o chapéu e gritei pra diabaiada: - Reúna toda a cambada Que aqui quem manda sou eu!!
Assei carne - tomei mate Naquele ambiente inflamado! Mas no dia dos finados, Por causa duma diabinha Que se veio pra minha beira, O “Luciofer” - calaveira Me saiu com lenga-lenga E eu - palmiei a xerenga No lombilho do danado!!
Oigatê - coisa braba... Os outros também se vieram!!
Era garfo e era faca E era grito do diabedo... Quase no fim do brinquedo Pra que não ficasse mágoa, Atirei um balde d’água, Bem no meio do brasedo!!
E aproveitando a fumaça Olhei pra baixo e me vim... Dizendo de mim pra mim: - Nunca mais eu volto aqui!
Pois parceiro lhes garanto: - Andejei de canto a canto là na mansão Celestial.
Que se fale - que se diga Que se alargue - que se expande: Querência igual ao Rio Grande... Nem lá no céu - tem igual!!
Então...a baita risada Do louco e de todos mais!!