Romance do guasqueiro So
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Agosto alçou o poncho sobre os ombros da coxilha, entranhando nas canhadas todo sabor da invernia. A noite chora nos campos serenas lagrimas frias, já não se vêem pirilampos luzindo pelas campinas.
Reflete n'água do açude uma tropilha de estrelas, repontada pela lua entre nuvens passageiras, a boeira mostra o rumo pro coração estradeiro, que retumba cá por dentro estropiado, sem parceiro.
Um temporal de saudades encharca as noites de espera, ausência bate na porta deixando o peito tapera. No remanso há um par de sonhos boiando no mate frio, são retalhos dos meus olhos, que mergulharam no rio.
As raízes do espinilho vão abraçando as cambonas, o fogo queima horas largas sigo entoando milongas. O minuano assoviando vem descendo as canhadas, repontando quero-queros na solidão das estradas.
Procuro versos costeiros pelos ga1pões da memória, sovando corda e recuerdos ao lento passar das horas. E quando a saudade apeia nos pensamentos guasqueiros tranço lamento e poesia guitarreando pros luzeiros.
Quem sabe os ventos teatinos que vagueiam campo a fora, tragam teus 1ábios sorrindo pra matizar minhas auroras. Pois quem encanta as estrelas com versos e partituras há de encontrar uma delas perdida nessas planuras.
Minhas retinas se alargam mirando ao largo a boeira e o rneu cantar procurante ressoa ao 1éu sem parceira, então sofreno essa ânsia de andar degustando as noites e volto a beber nos mates saudades de a1guém distante.
O vazio das madrugadas preenche o rancho de anseios, e até os pelegos do catre sentem falta do teu cheiro. Restou nas várzeas do tempo restevas do amor ausente, e em meu coração charqueado raízes do amor presente.
Sigo acordando sóis que pingam réstias no poncho, e as janelas bocejando pintam quadros no meu rancho. Quando a guitarra emudece e o meu peito se encerra, a juriti ensaia um canto. Que saudades da primavera!
Quem sabe esse tempo amargo sinta sede dos verões, bordando pastos nos campos pra saciar recordações. Quem sabe ao passar o inverno possas voltar a querência e sentir o aroma das fibres que choram a tua ausência.