Vestida de Prenda
Vestido moldado na extirpe gaúcha, Em mescla de bruxa e estampa monarca, Eu trago um Rio Grande bordado entre as rendas E a raça da prenda sem dono e nem marcas!
Vestida de prenda me sinto a mais bela, Gaúcha singela... Bonita e bem guapa! Pois trago no sangue que corre nas veias Sinais de peleias nas lutas farrapas!
Na estampa de jovem carrego no peito A forma e o jeito do pago de agora... Gaúcha moderna da atual geração Que tem tradição e costumes de outrora!
Vestida de prenda me torno a bandeira Da diva guerreira e de um pampa seguro, Herdeira da terra e de um tempo legado Que alguém do passado me deu por futuro!
Vestido estampado entre cores e graça, Que cheira fumaça de um fogo de chão, Embala meus sonhos nos palcos modernos, Mantendo os eternos sinais de galpão!
Um pouco de Anita, mesclada á Ana Terra Em tempos de guerra e em dias de paz, Dizendo às meninas que tem minha idade Que fé e identidade é a gente quem faz!
Sorriso espontâneo da prenda criança, Cabelos de tranças, ornadas de fita, Mostrando aos de hoje que há, com certeza, Sublime beleza em vestidos de chita!
Resgato esse pano de um elo perdido Entre o antigo vestido e a nova mulher, Mostrando, de prenda, um Rio Grande maior, Que fica melhor quando a gente quiser!
A minha semente e meu pólen gaúcho É o pano de luxo e o feitio do tecido Que orna meu corpo de prenda criança, E roda a esperança no céu do vestido!
Por isso minha alma de moça sulina Que, embora menina, é pátria e legenda Das novas mulheres que tem, por modelo, A flor no cabelo e o vestido de prenda!