Desassossegos de uma Noite Soturna
A noite chegou de manso E a lua a repontar lembranças... Nas estrelas lá do infinito, Parece que vejo A luz nos olhos dela.
A penumbra, Emponchada de silêncio; E os grilos faceiros Na porta do galpão, Insistem no cricrilar...
Os pirilampos no campo largo, São luzes cadentes...
O quero-quero sentinela, Já cansado da vigília, Aninhou-se no “catre” Quietito no más.
Um fogo de chão, Partido em “astilha”, Aquece meu corpo. Mas, a alma Fria busca acalanto No compasso do coração...
- Que triste ironia – A noite cheia de lume A implorar um canto; Eu carente de luz Mudo na solidão.
A alforria da tristeza Demora a chegar. As carícias e juras Daquela noite outonal, Hoje, são apenas recuerdos...
O pensamento viaja Nas asas do vento E pousa singelo, Sobre a quincha Da saudade.
Insone, Queria velar teu sono Pelas madrugadas “anchas” ... Soçobrar em teus lábios, Sentir o gosto das auroras.
A boeira é o luzeiro Indicando o rumo Que a levou longe de mim. Aqui, neste “quarto de ronda”, Faço reculuta Para o albor das horas...
Quando me dei por conta, Alvorece... E não vieste.
Tomo o último mate Quando o sol Descortina lonjuras... Sozinho, Nas barras do abandono.
O orvalho da manhã parece Uma lágrima sentida, No fio do alambrado.
Meu peito “repartido” Como taipa de açude, Espera tuas mãos No ritual do amargo. Lembro do afago E tudo parava No espaço de um tempo.
Quem me dera, Se o teu sorriso Viesse singrando Por estes campos sem fim...
Uma cordeona Com belos acordes E um sabiá cantor, Seriam meus parceiros Nas ternas cantorias...
Rebusco Quimeras primaveris, Porque em verdade, Teus olhos ficaram Distantes de mim.
Encilho o baio-cabano E vou de marcha batida, Assim sem rumo certo. Busco domar inquietudes Que aos poucos se amansam E a dor da existência, A combater às marcas do amor.
Sigo adiante Em novos destinos... Sinto na cara um vento pampeano E no cerne me reconheço teatino! Entendo afinal, O ritual destes amores Peregrinos...