tempo
Publicado em
I O tempo andou mudando a gente Deixando as coisas diferentes, Mexendo em baús de sonhos, Cheios de quinquilharias. Pondo sombra onde não tinha, Abrindo clareiras grandes e guajuviras copadas, Antigas, de descansar das tropeadas.
O tempo só deixa marcas e cicatrizes no chão, Em tudo por onde passa, alegria-solidão, Emoldurando sorrisos, repartindo o coração. O tempo matou saudades e trouxe muitas outras também, Fez bordados, cerziu rendas Para o vestido de alguém.
Deu esperas demoradas para quem soube esperar Cevou mates pelas tardes até o dia chegar. Tirou as cores das casas e amarelou os retratos, Contou causos, fez estórias por certo esqueceu dos fatos.
Se vai tempo velho... A girar ponteiros, desfolhar calendários E contar tantos rosários na prece de cada um.
Esse que nos acompanha e passa sem perceber E as vezes tão percebido. Como um jardim florescido, que a gente olha e nem nota Porque depois que um flor morre, uma nova sempre brota.
E muda inverno, e a estação, sai primavera é verão, Ficando as marcas na areia, de um tempo que faz a teia Para tecer o caminho, já repisado em passado.
Caminho que se semeia, um pouco de cada um Feito de coisas comuns: De um sorriso de moça, de um rangido de carreta Que se arrastavam na areia. Areia das ampulhetas, que vem caindo há tempos Mudando tudo aqui.
Tempo que germinou tantos frutos Mas também que vestiu luto por alguém que já partiu Que a muito tempos não vimos, Que pra um retrato sorriu.
II É o mesmo tempo de antes Só que agora se remoça Na saudade que faz moça No coração de quem ama. Teu tempo quase não tenho Pra matar essas saudades Que a distância da cidade Nos separa tanto assim, - a tua casa de varandas Do meu rancho de capim.
III
Mas isto é questão tempo. “porque a estrada ensina a andar” Isto sempre ouvi falar e guardei como lembrança O tempo toca a musica nós criamos a dança, Pra se dançar a sós, quem sabe dançar a dois... Tudo regido no seu tempo, Um antes e um depois. Depende de cada um, depende mesmo é da gente... A sede é igual pra todos, basta achar a vertente. Se o tempo nos permitir