Seu Espinho e Flor de Tuna
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(uma fábula de amor no campo)
Seu espinho era do campo morador da serrania era lanceiro de noite mas era espinho de dia.
Flor de Tuna era caseira usava saia de chita de dia se achava feia, e de noite andava bonita.
O pé de tuna do campo era o cenário perfeito pra um amor de flor bonita, com um espinho de respeito
Seu Espinho, moço novo se apaixonou pela flor mas tinham muitos no campo que juravam o mesmo amor.
Ele era espinho de fato, meio rude, mas direito só era de fazer mal a quem chegasse sem jeito.
Flor de Tuna tinha a graça mimosa de flor vermelha só mostrava seus sorrisos pra receber as abelhas.
Mas Flor de Tuna se abria, quando a lua despontava rodava as franjas da saia, e pra todos se mostrava.
Deitava sobre os espinhos, judiava deles sem dó... -Amor sem ser dos dois lados, é amor de um lado só!
Seu Espinho lhe cuidava, pra ninguém chegar por perto ficava meio de ponta, com quem bancasse o esperto.
Quem passasse assim olhando “às vez” falava baixinho... -Como pode a mesma tuna, dar flor bonita, e esse espinho!
Mas num domingo à tardinha cruzou um gaúcho na estrada e levou a Flor de Tuna de presente pra sua amada.
Levou a mão entre espinhos, com jeito e arrancou a flor Seu Espinho e os outros tantos viram partir seu amor...
Não puderam fazer nada, e hoje lamentam sozinhos... -Era bonita demais pra viver entre os espinhos !
Flor de Tuna foi pra longe, nem adeus disse na ida pareceu que não gostava nem um pouco desta vida.
Foi nas mãos de um cavaleiro pra enfeitar um ranchinho vai sentir falta de casa, murchando devagarzinho...
Mas Seu Espinho ainda chora noites inteiras de mágoas. Flor de Tuna foi pra longe, foi morar num copo d’água...
Gujo Teixeira Sobrado 607, 12/03/07.