Os Bens
Há bens que a gente não guarda no cofre nem no galpão... Não são passíveis de compra, de venda ou avaliação! Não há como compará-los com outros bens em questão... Só são visíveis aos olhos da alma e do coração!
São bens que a gente não pega, que não se pode tocar... Nema visão os conhece, ninguém consegue escutar... Têm gosto, mas é distinto, transcende do paladar... Têm o perfume das coisas que vêm pra nos inspirar!
É desses bens incontidos, despidos e existenciais que os homens, hoje, carecem em suas vidas banais... Coisas que o tempo não come, riquezas imateriais; princípios, honra, caráter... Firmeza nos ideais!
São bens que o homem recebe e marcam na sua mente feito iniciais avoengas queimando no ferro quente... Eles se dão pelo exemplo queleva-se eternamente! Não há como transferi-los para uma conta corrente!
Eles andavam no mundo, povoavam campo e cidade... Faziam parte dos homens, do todo e suas metades... Mas, de repente, uma doença acometeu a verdade e vem rareando a vergonha no seio da sociedade!
E aqueles bens que eram fartos em toda a população e que norteavam a vida no mais longínquo rincão, foram sumindo na poeira, esvanecendo e, então, tornando a via de regra uma sutil exceção!
Essa doença se espalha com força de pandemia, engole credos e raças, paixões, ideologias... Urge encontrar-se um remédio, já chega de anestesia! Algo que, além da ganância, combata a demagogia!
A responsabilidade é minha e também é sua, decontinuar reprimindo mesmo a menor falcatrua! Não basta apontar o dedo, mostrar onde se situa essa moléstia da alma que se espalhou pelas ruas!
Há bens que não silenciam dentro da gaveta escura... Um dia eles transbordam e arrombam a fechadura! Têm força de corredeira de água límpida e pura... Há bens que rompem a pedra e saem da sepultura!
É desses bens que eu preciso, dessa energia sem fim que vem da ética e filtra o não de dentro do sim... Há bens que não se corrompem, são como um velho fortim! São esses bens os que eu quero que estejam junto de mim!