Alma em Verso
Poesia

Poema pra Luz do Dia

Giba Trindade

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O tempo desperta sonhos Libertando a voz dos galos, Rebrota o matiz do dia E o campo expõe suas artes... O sol que beija coxilhas Reacende a luz dos galpões, Ofertando aos corações As horas ternas dos mates.

Nos palcos da madrugada Ressurgem cantos teatinos, E a sinfonia dos ninhos Ensaia novas canções... Mesclando-se nos bordões Dos assovios pacholentos, Que seguem o rumo dos ventos Feito salmos de orações.

Frente aos olhos amansados Pelos eflúvios do sono, Descortinam-se as pinturas Da face rubra da aurora, Retratando imagens puras De uma campeira existência... Retemperando a essência Do dialeto galponeiro, Que se apruma verdadeiro Sob a quincha da querência.

Um dia novinho em folha Entoa o seu novo canto, Trocando o negror do manto Pelo dourado do sol... Brilham cristais nas macegas Do sereno que evapora, E as retinas campo afora Transcendem a luz do arrebol.

Campeiros tomam tenência Pra lida que se anuncia. Aromas trocam a essência Se aninhando nas flechilhas... E o gado buscando pasto, Repisa seus próprios rastros Que desenhou nas coxilhas.

Nos espelhos das aguadas A manhã revê seus temas, Sombras rabiscam poemas Na grande tela do pampa... E o campo estende seus braços Num gesto de amor a vida, Doando luz e guarida Pra alento de anseios guaxos.

Outras asas mais ariscas Salpicam o quadro da aurora Com seu branco revoar, São garças que a noite trouxe E agora o dia liberta Qual pinceladas no ar... Faz reverência um cardeal Com fidalga compostura, Sonorizando a moldura Que a manhã bota no olhar.

É o tempo ditando rumos Guiando os passos do mundo, Municiando os corações Com as ilusões do presente... Porque a vida segue em frente Botando luz nos escuros, Pra alumiar sonhos futuros Que o campo traz pra sua gente