Reflexões Para um Solo de Guitarra
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Abençoadas sejam as mãos Que dividem os seus dons, Repartem notas e tons Na arte de guitarrear. Aquelas que semeiam grãos No coração de sua gente, E dividem as sementes Por gosto de comungar.
As mãos que se fazem ágeis Nos dedos do guitarreiro, Co’a magia dos braseiros Dos fogões e sua luz. Em compassos improvisados Das melodias trigueiras, Ultrapassando fronteiras, Da alma que as conduz.
Bendita a inspiração Que brota livre, a vontade, Conduzindo a musicalidade Que reside num violão. A cada solo, a cada frase, O guitarreiro reparte Os dons sagrados da arte Que brotam do coração.
Que as estrelas seresteiras Abençõem o guitarrear Pois jamais podem parar As cordas que a noite alonga. A inspiração se prolonga Com acordes e solfejos Iluminando os desejos Que residem na milonga. Vem das mãos dos guitarreiros Aconchegos melodistas, Pois são verdadeiros artistas Os que floreiam um pinho. Jamais se encontra sozinho Quem domina um instrumento E reparte seu sentimento Entrelaçado com carinho.
Quando escuto um dedilhar Ecoando porteira afora, É minha alma quem chora Refazendo suas orações. Pois mora nos violões O canto puro das cigarras E para os solos de guitarras As minhas reflexões.
Que Deus proteja estas mãos E ilumine os guitarreiros, Não bote buçal, nem freios, Nem censuras ou amarras. Que as notas surjam claras Sinceras, buenas e puras Na ilusão das partituras Para os solos das guitarras.