Horizontes Largos
Meus olhos criam imagens e bem dentro, cá no peito um coração em disparada me lembra potros no mais.
A cuia ronca pedindo água imitando criança que chora quando quer alguma coisa...
Lembro bem da minha infância quando corria descalço pelo tapete do campo buscando essência na terra!
Hoje... Bem no centro da cidade só resta um retrato tímido com moldura na parede. Mas sinto ainda, cheiro de campo e berro de bois... nesta consciência que herdei dos tempos que já se foram.
O sol desponta aos pouquitos; Os compromissos me chamam e eu insisto em matear. Cada gole que eu sorvo traz a essência do pago me pedindo pra voltar!
Quem deixa raízes na terra pode estradear muitas luas mas volta regar a planta. Por isso hoje me vou de malas, erva e cuia colher decerto alguns frutos e semear novas sementes para alimentar os andantes.
E quando os horizontes largos Me pedirem pra partir. Vou cevar outro amargo para oferecer aos que chegam e seiva do amor maior...
Não mais matearei sozinho porque dividir o pão é alimentar a própria alma!
Enquanto espero chiar a água viro com calma a erva do mate dando rédeas ao pensamento; Que ultrapassa fronteiras e cruza os limites xucros do meu jovem coração...
Vou sorvendo o chimarrão a longos goles amargos na solidão dura e fria deste final de tarde na prisão do apartamento.
Nem sei o que é mais amargo. Se o chimarrão ou a vida que machuca de saudades um campeiro que sonhou em construir rumos novos.
A ilusão muitas vezes nós afasta de nós mesmos... Mas constrói sonhos suando e fazendo calos nas mãos por certo, descobre horizontes que só mesmo a estrada ensina!
Sonharam também novos rumos os imigrantes que vieram semear o grão na terra para alimentar ideais...
Não encontramos portanto os caminhos já abertos. Porém, com coragem e fé trabalharam sem descanso abrindo picadas largas pra quem chegasse seguir!
E mesmo sendo difícil jamais se desanimou... Quando se ama de verdade a distância não separa e o infinito é logo ali...
Por isso talvez que hoje, correm pelo meu rosto essas lágrimas gaúchas enquanto tomo meu mate. E é triste matear solito.