Chapéus de Palha
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E chegaram de além-mar trazendo esperanças na mala e um novo brilho no olhar.
Com os seus chapéus de palha foram semeando o chão pras colheitas do futuro transcender a imigração.
Giuseppes, Pietros, Giovannis, Biancas, Elviras, Therezas, pátria, raiz e certezas. Italianos sim senhor. Mãos prontas para o trabalho pros sonhos do semeador.
Vieram pro alto da serra levantar os parreirais multiplicar as sementes correr igual as vertentes repletas de mananciais.
Na história do continente foram deixando suas marcas como as rugas desta gente que o tempo jamais apaga.
As mãos que semearam a terra trançaram a palha do trigo, da "dressa" os chapéus de palha, muito mais que um abrigo. E as cestas fortes de vime como firme a própria estampa uma "impíria" pra colheita da safra que se levanta.
E trouxeram suas cantigas para as noites de "filó", em "la estrada del bosco", "barselete" de riso e dó, um punhado de alegria. Trouxeram a simpatia e o espanto de ficar só.
O gosto simples da polenta receita antiga da nona, é algo que me emociona recordando tempos idos por estes fogões vividos entre esporas redomonas.
Abrindo horizontes largos os italianos chegaram e os caminhos se alargaram para a integração dos povos.
As mulas e seus corcovos tudo com luz de lampião foi começando a cidade no berço do barracão.
E com seus chapéus de palha vieram de além-mar, trazendo esperanças na mala e um novo brilho no olhar.
O tempo com seus invernos geadas pelas melenas viraram bustos nas praças e oração nas novenas. A fé continua a mesma, também é a mesma estrada, pros olhos horizontais desvendando parreirais na terra que beija a enxada.
E nós herdamos o brio dos imigrantes altaneiros; e também somos guerreiros, também somos vencedores, igual aos avós semeadores somos ítalo-brasileiros.
E da semente pequena veio o fruto da vitória com os seus chapéus de palha escreveram uma outra história E o chão se frutificou nas próprias mãos do semeador, e hoje o tempo é de paz, fartura, honra e amor.