Me identifico Campeiro
Eu pouco sei de cavalos e da lida campo a fora, Não sei mistérios de campo, nem a lua pra enfrenar. Mas essa gente grongueira, que acorda arrastando espora E faz do campo sua vida, aprendi a respeitar. Eu pouco sei de cavalos, da doma e sua ciência, Não sei de dobras de laço e tipos de nó de cola Mas admiro essa gente que cuida dessa querência! Que fez pelas pradarias bem mais do que uma escola. Eu pouco sei de cavalos, morfologia e pelagem, Nem como quebrar o queixo conheço um pouco sequer. Me basta, pra o meu conceito, que o campo requer coragem Para saltar num malino e sair “batendo os talher” ... Mas eu encilho o cavalo e me pilcho a preceito! E busco a estampa mais taura pelos setembros farrapos, Se me apresento campeiro, retratado ao meu jeito, E porque tenho respeito ao que fazem esses guapos! Mas, eu encilho o cavalo e as vezes nem me dou conta Que por meu gosto e respeito a essa gente campeira, Posso de alguma maneira até causar uma afronta Mas a intenção é outra, de gratidão verdadeira!
Por isso... Encilho o cavalo e tapeio o chapéu na testa! Por que admiro essa gente que há cada romper da aurora Despertam as sesmarias, antes do sol romper as frestas, E chamam o novo dia num talareio de esporas. Eu não entendo de laço, de armada ou tipos de pealo E nem conheço da arte de lonca, tentos e tranças, Nem tenho o pó da estrada no lombo do meu cavalo Como carregam os tauras, timbrando o pago em andanças. Eu não sei de paleteada, de “pexar boi campo a fora”, Não sei de tosa a martelo, nem de contagem na tarca. Sei, que há um xucro encanto no retinido da espora E num laço enrodilhado que vai “batendo na marca”! Me agrada a xucra magia desse terrunho viver, Que faz da simplicidade desses rituais campesinos Forja de uma gente forte, xucros no jeito de ser, Alma de campo e querência, rijos na fibra e no tino! Me agrada a imagem de campo e a rudeza de um galpão, A sinfonia dos pássaros, mesclado a um touro que berra, O mate ao final de tarde, ao derredor do fogão, Inspirando algum poema que vem com cheiro de terra! Por isso se perguntarem qual a minha identidade, Respondo, de alma inteira, que mesmo sendo povoeiro, Há um sentir dentro ao peito que traz a minha verdade Que eu não refugo ou renego... me identifico campeiro!