Raposa
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Astúcia e manha escondida - Naquele olhar sorrateiro Farejando um galinheiro, Na noite fria e chuvosa! É a raposa perigosa Que se achega lentamente, E no mais senta-lhe o dente Na goela duma “penosa”!
Mui devagar como veio, Vai se cambiando na espreita Como a evitar a suspeita De algum cusco na cruzada! Se some na madrugada Rumo ao ninho num perau, Ou nalgum oco de pau... Sempre longito da estrada!
Não há no mundo outro bicho Que te iguala em artimanha; Muito cuera da campanha Te reserva simpatia; Muito povoeiro aprecia O teu instinto genial, E até mesmo um general Inveja tua estratégia!
Recordo que quando piá Muitas vezes te dei caça! Em muito oco fiz fumaça Te botando numa obriga; Salta bicho “duma figa”
Vem pagar o desaforo Porque alguém com este teu couro Comeu meu galo de briga!
Mas quantas vezes também Como morta eu te deixava... E depois que me bandeava Tu dava um jeito na vida... Devagarito, escondida Num rastejo camuflado; E eu matutava calado; ...Ela! raposa fingida!
Mas sei que aprendi contigo Ser astuto e desconfiado! Não gosto do sol quadrado E sempre saio primeiro. Resolvo meus entreveiros Neste mundo quase louco, Onde os amigos são poucos E a honestidade é o dinheiro!
Por isso, aceite, raposa, Estes veros que te faço... Poque xô-égua! Há um laço - Do teu viver com o meu! Só que vancê já nasceu Curtida em vivacidade, E até ri da ingenuidade Deste gambá - que sou eu!!