O ROMANCEIRO DA MORTE
Se a pedra ficar polida meu labor não foi a esmo... Quando me for, vou cantando in memória de mim mesmo....
A morte é um mero fantasma rondando os passos da vida, por “supuesto” intimida mas creio não ser o fim... Enquanto minha vez não chega zombo da “caveira negra” contando um pouco de mim...
- Eu... pau ferro de corpo e alma encaro o velho fantasma sem vacilar nem temer, ainda altivo, pois “me gusta” viver... Sou tronqueira humanizada acredito...! Sempre alerta com a fera que há em mim mui esquivo com arrogos e desditas... ... minhas mão hoje rudes e rombudas , são judiadas , mas afoitas e bonitas...
- Eu... que escorei firme trompaços, rodadas, tombos, negaças do mundo “malo” e ventena...! No arrojo, tive bufos de torena qual estrondo de avalanche cerro abaixo! Mas contive minha xucra rebeldia, lastimado e amargando judiarias precavido no atavismo de macho!
- Eu... que em peludeios e quarteadas cruzei “lejo” nas estradas...! ... quando no verde da idade arrisquei anseios loucos com proezas e retouços só por cismas de hombridade....
Labutei!! Gastei em terras alheias arados de boa templa... Delimitei em aceiros queimadas só pra o sustento... Semeei eitos de suor nas coivaras que tombei, e no tratado das “súcias” mereci o que plantei...
Demarquei campos alheios perfilando pedras mouras... Entaipei léguas de varzeas suprindo vastas lavouras... ... vi no escasso das chuvas se esvair em farturas com mirrada floração, nas tigueras que empreitei em muitas quartas de chão...
... domei, carreteei, tropeei, castrei touros e baguais mesmo nunca sendo o dono. ... hoje alpedo e veterano vou despacito a “lo mais”, vendo secar taquarais bem estrivado no entono...
Ainda estou no meu tempo! Pois continuo aqui... talvez um velhusco exemplo pra algum campeiro guri... Particular estranheza no umbral do mundo novo guapeando o velho retovo que leguei por natureza...
Sim... Ainda estou no meu tempo! Ementário ou monumento que por teimoso sustento mesmo parco de aparência... Mas nunca serei ruína e nem raiz carcomida enquanto tiver querência...!
... se o inverno for “peleagudo” e me impedir para a lida, faço um mate macanudo e fico sevando a vida num galpão de fogo rubro...
Deus permita que o meu tombo seja sem ter sofrimento... Mesmo um tanto alquebrado sou palanque enraizado pendido a favor do vento, resignando os pecados sem lamúrias, nem lamentos...
Se um dia fui pedra bruta desbastei bem a preceito... fui rígido com meus erros e humilde com meus acertos... (A vida do ser humano é apenas uma experiência e a morte é uma consequência pra continuarmos vivendo), - por certo num outro plano -
Verdade... “Me gusta” muito da vida e se a pedra ficar polida meu labor não foi a esmo, quando me for, vou cantando in memória de mim mesmo!
Mas, quando vier a “caveira negra” portando a velha gadanha, vai me encontrar de alma doce num fandango de campanha, pode ser que até me pegue num golpe de relancina, se eu estiver entretido nos braços de alguma china!!