Alma em Verso
Poesia

Na Irmandade da Terra

Luciano Salerno

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Quando o dia floresce silente... A clave de Sol mostra indelével sua tessitura. As retinas inquietas procuram o firmamento E formosa a moldura de um retrato antigo... Vive o mosaico de além-mar que trago por dentro. Na sinfonia do tempo andarilho ouço seus acordes... E peregrinando horizontes volto nas lembranças. ....................................................................................

Altivos homens e mulheres aportam nestas terras Para habitar, expandir e consolidar fronteiras. Povoando os campos e defendendo o sul do continente, Lagunistas fecham caminhos contra os orientais, Singram várzeas e coxilhas abrigando sua gente.

A margem de um novo matiz na paisagem, Pinto bandeira*desbrava terras fazendo reculuta De cavalos e gado na extensão das vacarias do mar. O relógio do tempo marcando o manto celeste... Em compassos e rumores na sina de tropear.

Regida com a batuta dos ventos, notas em melodias... Povoam a inspiração para cruzar caminhos largos. O pensamento perde a calma... A cada página vivida pelo habitante deste rincão, Fazendo entrechoques por onde galopam distâncias... No bater dos cascos que retumbam ecos pelo chão. ........................................................................................

E hoje, ficam na história e nos livros... As páginas que buscam os grandes nomes Do que os honrados e valentes curtos apelidos. Quando uma batalha de inverno guarda o sol E o tempo esconde as lanças de um guerreio Um poncho céu sangra na baeta do arrebol.

O ciclo das horas inquieto a corroer à espera. A palavra pelas artérias circula em resposta... Como um poema de antanho escrito no hoje, Imita a maçanilha que “jujando” mates de um novo dia Faz o silêncio habitar a paisagem e engolir o olhar. - O tempo é senhor da vida e do caminho - Na linha do horizonte faz a luz reinar.

Em outro ciclo busco reminiscências Dos que ficaram em marcas sobre a dura terra. O ser humano que para os céus as pupilas retoça, Vislumbra nas nuvens a chuva caindo em cristais... E cada flor é luz e vida no aroma que remoça.

“Os de amanhã, ansiosos de passado e futuro Hão de me encontrar no obelisco Vigiando a província num tratado de paz!”**

Trago nas veias o gen de uma casta ancestral. Serei a secular cancioneira na voz das novas eras, A paradoxal estrela que fulgura a cada aurora, Serei outra “Provinciana” na irmandade da terra!

*. Francisco Pinto Bandeira – Tenente do Corpo de Dragões, Criado para guarnecer o Forte Jesus Maria José (1737)

**. Fragmento do poema “Provincianas...” De Luciano Salerno.