Depois dos Campos Talvez
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Um raio coiceou no espaço retumbando na madrugada muda. Ficaram rastros e pêlos bordando o chão da mangueira, e maçarocas de clinas vestindo a nudez das tronqueiras.
Gastei léguas de campo sob as patas do meu zaino, perdi os rastros, os pêlos, perdi meus baguais pro tempo. Malino tempo sem pressa que me fez tropear sinuelos na insistência da busca.
Irmanei-me com o vento pra vagar pelas distâncias rastreando rumos perdidos nos confins dos corredores, onde não patearam potros somente o vazio da ausência.
Cansei do tranco do zaino estradeiro moldado ao vento, vou encurtar as rédeas desse anseio que me arrasta e, me faz longe do pago quase um escravo dessas estradas, que deixam sulcos e dores no corpo e na mente insana.
O telurismo me ampara nessa distância da estância, remôo minhas próprias ganas quando a saudade dispara e, vai buscar noutras paragens alento pra solidão, que embuçala o coração palanqueia e senta as garras.
Preciso encontrar a paz p'ra alma inquieta que trago, preciso encontrar um par p'ro coração que reclama, adelgaçado e sem dona no relento do meu peito.
Renasço no entardecer solito mascando ausência, recostado no silêncio das lentas horas mateadeiras, relembro domas e apartes sorvendo goles de vida pra amenizar as feridas deixadas pela saudade.
Por onde andarão meus potros? Que tinham no seu regaço todo verdor das campinas, matizando as xucras retinas campeadoras de horizontes.
Sinto-me um resto de vida repontando os cabrestos nus. Vejo-me na paisagem de outrora perdendo potros p'ro tempo, e na paisagem que me espera apartando estrelas no céu cavalgando em brancos velos que se farão o meu chão.
Não mais sonharei aqui não mais sentirei saudade, serei saudade sonhada! Pois estarei com as nuvens vagando por outros mundos, bombeando os potros eternos que, se alçaram das mangueiras dos campos e cordilheiras, pra retoçar nas coxilhas do sem fim desses mistérios.
Por certo, verei meus baguais pastando a paz do firmamento, a distância se alargará e a querência será só pensamento terei a lua e o sol para alumbrar meus caminhos, e o capim lourando ao vento há de deixar o meu rastro, p'ros que forem depois de mim.